É engraçado como às vezes me perguntam sobre minha facilidade de escrita. Fico realmente chocada com essas perguntas porque para mim escrever é tão natural, tão simples que não percebo que têm pessoas que realmente sentem uma dificuldade enorme com as palavras num papel, seja ele eletrônico, seja ele uma folha de caderno. Vejo meus alunos do ensino médio com muita dificuldade em redação, colocar ideias no papel, para mim, é algo tão mais simples do que simplesmente dizê-las e são nesses momentos que percebo que escrever não é assim tão fácil, que para algumas pessoas seria o equivalente a eu, Yasmin Caminata, mexer com qualquer área de exatas, quase impossível.
Eu não me lembro com muita clareza o dia que resolvi que queria ser escritora, eu já quis ser tanta coisa na vida, mas todas elas voltadas para o meu sonho mais puro que carrego comigo até hoje: ser famosa. Já pensei em ser cantora, atriz, youtuber, blogueira (ainda tento), qualquer coisa boa que me levasse a uma fama e reconhecimento que até hoje procuro, mas é nas letras, nas palavras escritas que me expresso melhor e como eu sofro em saber que esse ramo é o mais difícil de conseguir alcançar meu objetivo, mas sigo na batalha, quem sabe um dia…
Eu já pensei em ser até comediante, a arte de contar piadas sem graça, mas que de alguma maneira faz o povo rir é algo que herdei do meu pai, o próprio tiozão da família que faz a piada do Pavê. Como eu disse, eu não sei bem o dia que resolvi que seria escritora, mas eu me lembro do primeiro livro que escrevi com sete anos. Eu sempre tive uma imaginação muito fértil, brincava sozinha muitas vezes, mas na minha cabeça tudo era uma grande aventura e um dia, brincando de qualquer coisa com minha prima decidimos que faríamos um livro de contos. Eu nem sabia o que era conto, mas peguei papel e lápis, sentei na mesa da sala de jantar, olhei para o teto como se esperasse alguma força mística e colorida descer até mim e então me lembro de sorrir e colocar um título no papel. Devo ter passado horas naquela tarefa, porque minha prima já me chamava pra brincar de outra coisa e eu ainda estava lá, tinha feito por volta de seis histórias bem curtinhas, bem simples que agora não me recordo, tinha uma de princesa, porque princesa não podia faltar, tinha uma de dragão, o conteúdo todo eu não me recordo, mas lembro de colocar o ponto final e sorrir para o amontoado de folhas.
“Vamos ficar famosas!”
Eu disse muito animada, pedi as histórias da minha prima e ela tinha feito menos que eu, mas juntamos todas, dobramos as folhas sulfites como se fossem um livrinho, grampeamos, fizemos uma capa com lápis de cor e giz de cera, enfeitamos com uma fitinha lilás e estava pronto, meu primeiro livro já com co-autoria. Em uma das minhas muitas mudanças de casa e de cidade ele deve ter se perdido e eu nunca mais o encontrei, mas lembro dele muito vivo na minha mente. Foi com sete anos que minha facilidade de escrita começava a se manifestar, mas foi só no ensino médio que ela voltou com força. Eu voltei a escrever com mais vontade depois de conhecer o mundo das fanfics, One Direction é parte principal nessa minha nova fase e eu sempre vou me orgulhar de dizer isso, porque foi nessas histórias ficcionais escritas por fãs (fanfic, para os íntimos) que eu me redescobri escritora.
Para mim é muito fácil escrever, menos quando estou no bloqueio literário. Minha imaginação sempre foi muito fértil, e eu sempre me expressei melhor com palavras escritas do que com palavras faladas, escrever é como meu super poder, eu me sinto poderosa digitando textos, escrevendo em folhas de papel, por mais que não agrade todo mundo, principalmente professores da Faculdade de Letras, mas é o que mais amo fazer, é uma das únicas coisas que sei fazer bem, a minha maneira, mesmo não conquistando a muitos. Escrever para mim é um escape, é conversar comigo mesma e saber desenrolar o nó de pensamentos e ideias que existe na minha cabeça, escrever pra mim é como uma terapia, é diversão, é mágico.
“Viver para escrever um alfabeto de sonhos”
Essa frase é minha, está nas minhas costas do lado direito juntamente com o desenho de uma pena de escrever. Escrever é um ato de liberdade para mim, escrever me leva a mundos incríveis, mais até do que ler, porque quando eu escrevo eu vou além de imaginar, eu crio, eu reflito e não digo isso apenas das minhas histórias ficcionais, todos os meus textos tem alguma lição, alguma reflexão, escrever para mim é ensinar, é mostrar através de contos, romances e textinhos com linguagem informal e muitas vezes engraçada que há algo para se refletir.
Hoje é dia 25 de julho do ano de 2019, mesmo o ano não sendo tão importante assim. Hoje é dia 25 de julho, dia do escritor. Hoje é dia 25 de julho, meu dia, dia de tantas outras pessoas que conheço e que estão nesse ramo de difícil visibilidade, mas que se sentem poderosos com um papel e caneta na mão, ou quando abrem um documento em branco no computador.
Hoje é dia 25 de julho, para todos os escritores que estão lendo isso: feliz nosso dia!

