
Você já deve ter ouvido falar de Anne Frank, certamente. Talvez já tenha lido seu famoso diário, seja por curiosidade, seja porque a escola te pediu pra ler. Mesmo sem ter lido, você sabe mais ou menos a história dela: uma adolescente que se escondeu em um sótão por dois anos com sua família e mais algumas pessoas, até que, faltando pouco tempo (historicamente falando) para o fim da II Guerra, em 1945, a família e todos naquele esconderijo foram encontrados e mandados para a morte nos campos de concentração.
Vocês sabem disso porque faz parte da grade curricular de qualquer escola, mesmo que seja um assunto passado, muitas vezes, de forma rápida e sem a relevância que deveria ter, mas vocês já ouviram falar do Holocausto.
Bom, eu sempre tive uma relação estranhamente forte com a história no geral, principalmente com a história das Guerras Mundiais. Sempre foi um assunto que me instigou a curiosidade, que me fez ir atrás dos detalhes e até hoje me pergunto o porquê. Talvez para que, de algum jeito, eu passe aos outros o que sei; talvez, pra tentar entender os males da humanidade, não sei dizer ao certo, sei apenas que essa minha relação com a Segunda Guerra Mundial ficou ainda mais profunda depois do meu primeiro livro: [War]ning.
Anos depois do lançamento, eu resolvi aprimorá-lo e então me vi pesquisando, por conta, mais afundo sobre o holocausto, um assunto que sempre me deixa mal, mas que é necessário se falar.
“Por que bater nessa tecla de holocausto se já faz tanto tempo?”
“Um assunto batido!”
“Nosso país e tantos outros países têm atrocidades tão grandes quanto e não têm a devida atenção quanto o holocausto!”
Eu já escutei coisas assim de amigos, de conhecidos, de pessoas em palestras, de alunos, familiares e por aí vai. São questões pesadas de você falar com quem não quer ouvir, por isso, eu venho aqui hoje apenas ressaltar que: o mundo sofre atrocidades todos os dias, mas por que isso ainda acontece? O holocausto não deveria ser um exemplo pra que isso nunca mais acontecesse? Faz mesmo tanto tempo assim? Será mesmo que é um assunto batido? Porque se fosse, não haveria necessidade de explicarmos o óbvio para muitas pessoas…
Eu sempre tive essa relação profunda com a guerra e com o holocausto, mas eu nunca tinha lido o famoso “Diário de Anne Frank”. Então, depois de avaliar o que leria esse ano, eu me deparei com tantos livros da II Guerra que tenho aqui pra ler e que ainda não consegui iniciar a leitura. Pensando nisso eu comprei o Diário, para ter um gancho e voltar a ler sobre um dos meus assuntos “favoritos”.
Mas não é sobre o Diário que quero falar, eu quero falar do livro de Eva Schloss, a qual o seu livro tem o título de “Depois de Auschwitz” com o subtítulo sensacionalista de “O emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao Holocausto”.
Eva não tem nenhum parentesco sanguíneo com Anne, as duas se conheceram na infância, mas nunca foram próximas. As duas nasceram no mesmo ano, então por que “irmã”?
Porque Otto Frank, pai de Anne, foi o único da família que sobreviveu ao campo de concentração e anos depois conseguiu encontrar alguém para passar o resto da vida junto, alguém que também sofreu as atrocidades humanas, que por milagre e ajuda divina sobreviveu ao holocausto junto com sua filha mais nova: a mãe de Eva, Fritzi.
O livro de Eva traz pra gente a perspectiva de uma sobrevivente, com relatos densos e muito emocionantes sobre o que ela e a mãe passaram em Auschwitz por um ano, como ela perdeu seu pai e seu querido irmão mais velho, como tudo na sua vida mudou e, talvez o mais importante: como ela seguiu em frente.
Não esperem um livro cheio de linguagem poética, como é o Diário da Anne, esperem um livro de uma pessoa ainda viva (sim, Eva ainda está viva, tem a idade da Fernanda Montenegro) que conseguiu passar para o papel os piores anos de sua vida sem deixar ninguém confuso.
O Diário de Anne Frank foi importante como relato e documento histórico do que foi aquela época, mas o livro da Eva também traz até hoje reflexões para muitas gerações, não só através de sua escrita, mas indo a lugares dar palestras sobre o que ela viveu, levando essa questão “batida”, como dizem alguns por aí, para países que também enfrentam, atualmente, esse preconceito com o diferente tão exposto quanto foi o antissemitismo na era de Hitler.
Eva traz em sua linguagem simples, mas detalhada o que foi sua infância feliz mudando drasticamente para uma adolescência de medo e de horror dentro de um dos campos de concentração mais famosos, mas é nesse lugar que, durante a nossa leitura, vemos que mesmo quando está evidente que não tem saída alguma, aparecem anjos e resquícios de bondade. Eva e sua mãe sobreviveram a Auschwitz, gosto de dizer, com ajuda divina e conseguirem ter uma vida “normal” depois daquilo.
O livro de Eva me trouxe reflexões ainda mais profundas sobre esse assunto de que gosto tanto de pesquisar, se eu for contar as partes que mais me deixaram arrepiada eu vou acabar contado o livro todo, por isso deixo aqui minha recomendação de leitura com esse apelo de que vocês procurem estudar a história no geral.
Se conseguirem: leiam. Leiam porque esse livro se faz importante até hoje por inúmeros motivos óbvios que, aparentemente, não são mais tão óbvios assim.
Abaixo eu deixo o último trecho desse livro que mais em deixou arrepiada e emocionada.

