O Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres

Eu estava com os dedos coçando para fazer uma resenha do livro que estive lendo esse mês.

O título já diz muito sobre muita coisa e por isso quero escrever sobre essa obra de arte que apareceu pra mim por puro acaso (ou talvez não) quando eu apenas revisitava minhas buscas na Amazon em busca do “tchans” com algum livro da minha lista sem fim.

Foi de repente que bati o olho na capa virtual do Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres e senti o meu tão famoso “tchans” literário. Sim, alguns livros eu me apaixono pela capa e isso me motiva a procurar saber mais sobre eles. Com esse livro não foi diferente: gostei do título, gostei da capa e então comecei a ler a descrição que me motivou a comprar um exemplar físico assim que eu tivesse dinheiro – o que na “época” ainda me levaria uma semana, já que era fim de mês.

Fiquei obcecada pra comprar, mas na Amazon mesmo não tinha o exemplar físico, apenas o ebook por um preço muito acessível, mas todos temos nossas frescuras e eu quis comprar o livro físico, não me arrependo, pelo contrário, ainda estou perdidamente apaixonada por esse emaranhado de páginas que vou precisar refolhear para ter a experiência completa.

Como assim? Vocês me perguntam.

Bom, o livro não é “ficção” propriamente dita, o tal “Clube Vitoriano das Mulheres” existiu na Inglaterra da rainha Vitória lá pelo século XIX. São contos e publicações em uma coluna de jornal de Londres de histórias de mulheres, assinados pela A Dama. O livro em si foi organizado por diversos autores, desde a tradução até a colocação de imagens de propagandas da época no meio de cada história. Algumas dessas – histórias – não possuem provas de sua veracidade, mas outras você consegue achar referências dando uma jogada no Google.

Gostei de todas, são um total de doze contos, alguns foram realmente publicados na coluna da época, outros foram achados depois, de maneiras um tanto quanto macabras e inusitadas. Em uma maioria os nomes citados são meros disfarces para que, à época, as mulheres que enviaram as cartas para a Dama não fossem difamadas, mesmo que, em algumas histórias, ficamos sabendo dos destinos de algumas, felizes e outros nem tanto.

Em uma época em que ser mulher era sinônimo de ser praticamente ninguém, esse clube juntou mulheres que conseguiram de alguma forma contar suas histórias. Mulheres que inspiram, mulheres com coragem e determinação, pessoas que escreviam com o desejo e sonho de um dia, mulheres de todas as futuras épocas poderem se manifestar como bem quiserem, amar quem quisesse, fazer o que achasse mais prudente para suas vidas.

De todos os contos, o que mais me inteirou o coração e a leitura, de uma maneira até motivadora e esperançosa foi: A Senhora Burton e o Vulcão, o qual deixo aqui o trecho que mais mexeu comigo depois de uma história de “altos e baixos” – literalmente:

“Fiquei de pé sobre a corona nevada, a rocha mais alta do vulcão mais alto do Atlântico. É tão estreita que só cabe uma pessoa por vez. Eu havia atingido o topo. Mirei o horizonte. Quando as provações e tristezas me fizeram esquecer temporariamente de ser grata, lembrarei do contentamento desde meu conto de fadas particular. Aqui eu ascendi para as solicitudes infinitas, me encontrei perto das estrelas – e me senti em perfeita comunhão com elas. Hoje é domingo de Páscoa e, suspensa entre o céu e a terra, vejo o sol emergir do oceano em toda a sua glória.” (O Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres, 2021, p. 128).

Os livros, no geral, têm a incrível capacidade de nos transportar para outros mundos e épocas. Nos fazem refletir, questionar, ou simplesmente nos distrair da realidade sombria que nos assola na maior parte do tempo. Esse livro em particular, sem uma continuação narrativa, por se tratar de diversas histórias, me transportou para o famoso século XIX e, ao mesmo tempo, me trouxe de volta para o presente, quando as lutas por igualdade de gênero ainda estão longe de acabar, mas que conseguimos caminhar, a passos curtos, para uma melhora.

Quem sabe o que as próximas gerações de mulheres poderão fazer? A luta continua.

Para quem tem curiosidade de saber a identidade da Dama: o livro revela quem ela foi, mas eu não vou contar… Espero que leiam esse livro e se surpreendam como eu ao chegar ao final do mistério que esconde a mulher que publicou essas variadas histórias!

Leiam. E, mulheres, leiam e lutem!

2 respostas para “O Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres”

    1. Vale muito à pena! São cartas muito boas! O mais incrível é que, apesar do caráter ficcional, são cartas reais! E quando a gente descobre quem criou o clube, ficamos “meu Deus do céu!” – pelo menos essa foi minha reação kkkkk
      Na amazon só tem ebook, por um preço muito acessível de 10 reais, mas olha, vale à pena ter a edição física – comprei pela Editora Wish!

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