O Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres

Eu estava com os dedos coçando para fazer uma resenha do livro que estive lendo esse mês.

O título já diz muito sobre muita coisa e por isso quero escrever sobre essa obra de arte que apareceu pra mim por puro acaso (ou talvez não) quando eu apenas revisitava minhas buscas na Amazon em busca do “tchans” com algum livro da minha lista sem fim.

Foi de repente que bati o olho na capa virtual do Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres e senti o meu tão famoso “tchans” literário. Sim, alguns livros eu me apaixono pela capa e isso me motiva a procurar saber mais sobre eles. Com esse livro não foi diferente: gostei do título, gostei da capa e então comecei a ler a descrição que me motivou a comprar um exemplar físico assim que eu tivesse dinheiro – o que na “época” ainda me levaria uma semana, já que era fim de mês.

Fiquei obcecada pra comprar, mas na Amazon mesmo não tinha o exemplar físico, apenas o ebook por um preço muito acessível, mas todos temos nossas frescuras e eu quis comprar o livro físico, não me arrependo, pelo contrário, ainda estou perdidamente apaixonada por esse emaranhado de páginas que vou precisar refolhear para ter a experiência completa.

Como assim? Vocês me perguntam.

Bom, o livro não é “ficção” propriamente dita, o tal “Clube Vitoriano das Mulheres” existiu na Inglaterra da rainha Vitória lá pelo século XIX. São contos e publicações em uma coluna de jornal de Londres de histórias de mulheres, assinados pela A Dama. O livro em si foi organizado por diversos autores, desde a tradução até a colocação de imagens de propagandas da época no meio de cada história. Algumas dessas – histórias – não possuem provas de sua veracidade, mas outras você consegue achar referências dando uma jogada no Google.

Gostei de todas, são um total de doze contos, alguns foram realmente publicados na coluna da época, outros foram achados depois, de maneiras um tanto quanto macabras e inusitadas. Em uma maioria os nomes citados são meros disfarces para que, à época, as mulheres que enviaram as cartas para a Dama não fossem difamadas, mesmo que, em algumas histórias, ficamos sabendo dos destinos de algumas, felizes e outros nem tanto.

Em uma época em que ser mulher era sinônimo de ser praticamente ninguém, esse clube juntou mulheres que conseguiram de alguma forma contar suas histórias. Mulheres que inspiram, mulheres com coragem e determinação, pessoas que escreviam com o desejo e sonho de um dia, mulheres de todas as futuras épocas poderem se manifestar como bem quiserem, amar quem quisesse, fazer o que achasse mais prudente para suas vidas.

De todos os contos, o que mais me inteirou o coração e a leitura, de uma maneira até motivadora e esperançosa foi: A Senhora Burton e o Vulcão, o qual deixo aqui o trecho que mais mexeu comigo depois de uma história de “altos e baixos” – literalmente:

“Fiquei de pé sobre a corona nevada, a rocha mais alta do vulcão mais alto do Atlântico. É tão estreita que só cabe uma pessoa por vez. Eu havia atingido o topo. Mirei o horizonte. Quando as provações e tristezas me fizeram esquecer temporariamente de ser grata, lembrarei do contentamento desde meu conto de fadas particular. Aqui eu ascendi para as solicitudes infinitas, me encontrei perto das estrelas – e me senti em perfeita comunhão com elas. Hoje é domingo de Páscoa e, suspensa entre o céu e a terra, vejo o sol emergir do oceano em toda a sua glória.” (O Infame Clube Vitoriano das Mulheres Livres, 2021, p. 128).

Os livros, no geral, têm a incrível capacidade de nos transportar para outros mundos e épocas. Nos fazem refletir, questionar, ou simplesmente nos distrair da realidade sombria que nos assola na maior parte do tempo. Esse livro em particular, sem uma continuação narrativa, por se tratar de diversas histórias, me transportou para o famoso século XIX e, ao mesmo tempo, me trouxe de volta para o presente, quando as lutas por igualdade de gênero ainda estão longe de acabar, mas que conseguimos caminhar, a passos curtos, para uma melhora.

Quem sabe o que as próximas gerações de mulheres poderão fazer? A luta continua.

Para quem tem curiosidade de saber a identidade da Dama: o livro revela quem ela foi, mas eu não vou contar… Espero que leiam esse livro e se surpreendam como eu ao chegar ao final do mistério que esconde a mulher que publicou essas variadas histórias!

Leiam. E, mulheres, leiam e lutem!

Eva Schloss

Você já deve ter ouvido falar de Anne Frank, certamente. Talvez já tenha lido seu famoso diário, seja por curiosidade, seja porque a escola te pediu pra ler. Mesmo sem ter lido, você sabe mais ou menos a história dela: uma adolescente que se escondeu em um sótão por dois anos com sua família e mais algumas pessoas, até que, faltando pouco tempo (historicamente falando) para o fim da II Guerra, em 1945, a família e todos naquele esconderijo foram encontrados e mandados para a morte nos campos de concentração.

Vocês sabem disso porque faz parte da grade curricular de qualquer escola, mesmo que seja um assunto passado, muitas vezes, de forma rápida e sem a relevância que deveria ter, mas vocês já ouviram falar do Holocausto.

Bom, eu sempre tive uma relação estranhamente forte com a história no geral, principalmente com a história das Guerras Mundiais. Sempre foi um assunto que me instigou a curiosidade, que me fez ir atrás dos detalhes e até hoje me pergunto o porquê. Talvez para que, de algum jeito, eu passe aos outros o que sei; talvez, pra tentar entender os males da humanidade, não sei dizer ao certo, sei apenas que essa minha relação com a Segunda Guerra Mundial ficou ainda mais profunda depois do meu primeiro livro: [War]ning.

Anos depois do lançamento, eu resolvi aprimorá-lo e então me vi pesquisando, por conta, mais afundo sobre o holocausto, um assunto que sempre me deixa mal, mas que é necessário se falar.

“Por que bater nessa tecla de holocausto se já faz tanto tempo?”

“Um assunto batido!”

“Nosso país e tantos outros países têm atrocidades tão grandes quanto e não têm a devida atenção quanto o holocausto!”

Eu já escutei coisas assim de amigos, de conhecidos, de pessoas em palestras, de alunos, familiares e por aí vai. São questões pesadas de você falar com quem não quer ouvir, por isso, eu venho aqui hoje apenas ressaltar que: o mundo sofre atrocidades todos os dias, mas por que isso ainda acontece? O holocausto não deveria ser um exemplo pra que isso nunca mais acontecesse? Faz mesmo tanto tempo assim? Será mesmo que é um assunto batido? Porque se fosse, não haveria necessidade de explicarmos o óbvio para muitas pessoas…

Eu sempre tive essa relação profunda com a guerra e com o holocausto, mas eu nunca tinha lido o famoso “Diário de Anne Frank”. Então, depois de avaliar o que leria esse ano, eu me deparei com tantos livros da II Guerra que tenho aqui pra ler e que ainda não consegui iniciar a leitura. Pensando nisso eu comprei o Diário, para ter um gancho e voltar a ler sobre um dos meus assuntos “favoritos”.

Mas não é sobre o Diário que quero falar, eu quero falar do livro de Eva Schloss, a qual o seu livro tem o título de “Depois de Auschwitz” com o subtítulo sensacionalista de “O emocionante relato da irmã de Anne Frank que sobreviveu ao Holocausto”.

Eva não tem nenhum parentesco sanguíneo com Anne, as duas se conheceram na infância, mas nunca foram próximas. As duas nasceram no mesmo ano, então por que “irmã”?

Porque Otto Frank, pai de Anne, foi o único da família que sobreviveu ao campo de concentração e anos depois conseguiu encontrar alguém para passar o resto da vida junto, alguém que também sofreu as atrocidades humanas, que por milagre e ajuda divina sobreviveu ao holocausto junto com sua filha mais nova: a mãe de Eva, Fritzi.

O livro de Eva traz pra gente a perspectiva de uma sobrevivente, com relatos densos e muito emocionantes sobre o que ela e a mãe passaram em Auschwitz por um ano, como ela perdeu seu pai e seu querido irmão mais velho, como tudo na sua vida mudou e, talvez o mais importante: como ela seguiu em frente.

Não esperem um livro cheio de linguagem poética, como é o Diário da Anne, esperem um livro de uma pessoa ainda viva (sim, Eva ainda está viva, tem a idade da Fernanda Montenegro) que conseguiu passar para o papel os piores anos de sua vida sem deixar ninguém confuso.

O Diário de Anne Frank foi importante como relato e documento histórico do que foi aquela época, mas o livro da Eva também traz até hoje reflexões para muitas gerações, não só através de sua escrita, mas indo a lugares dar palestras sobre o que ela viveu, levando essa questão “batida”, como dizem alguns por aí, para países que também enfrentam, atualmente, esse preconceito com o diferente tão exposto quanto foi o antissemitismo na era de Hitler.

Eva traz em sua linguagem simples, mas detalhada o que foi sua infância feliz mudando drasticamente para uma adolescência de medo e de horror dentro de um dos campos de concentração mais famosos, mas é nesse lugar que, durante a nossa leitura, vemos que mesmo quando está evidente que não tem saída alguma, aparecem anjos e resquícios de bondade. Eva e sua mãe sobreviveram a Auschwitz, gosto de dizer, com ajuda divina e conseguirem ter uma vida “normal” depois daquilo.

O livro de Eva me trouxe reflexões ainda mais profundas sobre esse assunto de que gosto tanto de pesquisar, se eu for contar as partes que mais me deixaram arrepiada eu vou acabar contado o livro todo, por isso deixo aqui minha recomendação de leitura com esse apelo de que vocês procurem estudar a história no geral.

Se conseguirem: leiam. Leiam porque esse livro se faz importante até hoje por inúmeros motivos óbvios que, aparentemente, não são mais tão óbvios assim.

Abaixo eu deixo o último trecho desse livro que mais em deixou arrepiada e emocionada.

Eva Schloss – Depois de Auschwitz, 2013, p. 302

Vem de revisão! – ABNT

Vem de revisão! abnt

E vamos mais uma vez falar de revisão textual e de como isso é importante, hoje com um tema mais específico que ainda causa polêmica e revolta de muita gente, minha amada (para outros odiada): ABNT.

Vou falar aqui para vocês do poder de uma edição e formatação ABNT.

Primeiramente, para quem não sabe ABNT é a abreviação de Associação Brasileira de Normas Técnicas, para muitos visto como um grande horror, para mim, e para uma galera da área de formatação e edição, e também os perfeccionistas de plantão (como eu): uma bênção!

A ABNT é super novinha e desde sua criação tenho certeza que já encheu o saco de muita gente, ela foi criada em 1940, então pensem comigo, antes disso os textos eram feitos de qualquer jeito.

(Gente, eu já trabalhei com documentação histórica, com transcrição de textos antigos e digitalização desses textos, confiem em mim quando eu falar que a ABNT é importante!)

“Mas afinal de contas, Yasmin, pra que serve a ABNT além de me encher a paciência?!”

Bom, a ABNT serve exatamente para padronizar os textos (em questão) e deixar eles documentados de uma forma fácil e, claro, organizada. Mas a ABNT não existe só para textos, têm várias coisas que precisam de uma norma padronizada para documentação e catalogação, como eu trabalho com textos, eu vou mostrar para vocês um pouco do poder da ABNT e do porquê vocês precisam valorizá-la.

Minha amada ABNT age nas entrelinhas no público que sempre tento alcançar quando escrevo qualquer coisa, desde textos assim, até minhas histórias. Que público é esse? Os leitores, é claro!

Mas aí é que está, vocês sabiam que a porcentagem de leitores no Brasil é baixa? Eu sei que vai ter gente que vai falar: 

“Ah, mas eu conheço muita gente que lê, e essas pessoas conhecem muita gente que lê…”

Se você tem amigos e conhecidos que leem, isso é muito bom, mostra que seu círculo social é refinado, mas isso não representada praticamente nada quando a gente coloca num ranking nacional. Se formos pesquisar, a taxa de leitores no Brasil é 56% e vai ter gente me falando:

“E você acha pouco?!”

Sim, porque as pesquisas feitas para averiguar esse número são de pessoas que leem livros de um determinado tema, então quanto mais a fundo a gente entra na pesquisa, mais a gente vê e percebe que o número de leitor não é tão grande quanto a gente pensa.

Os leitores que estou falando, a quem gosto de me referir, são os que leem de tudo um pouco, desde livros para entretenimento até simples postagens no facebook, agora me acompanhem aqui: se para leitores de livros a taxa é pequena, imagina para além dessas pessoas?

Se você é leitor e seus amigos também: ótimo, mas tem muita gente que não lê por diversos motivos, vamos aos mais comuns:

“É chato.”

“Dá sono.”

“Me perco nas linhas.”

“Não consigo ficar parado prestando atenção.”

“Só gosto de livros com figuras.”

E por aí vai…

Para essa galera que não tem o costume de ler, qualquer estratégia dentro da leitura, dentro da escrita é válida para conquistar novos leitores.

“Ai, mas como assim?!”

Bom, é para que isso que estou falando da ABNT e do motivo de ela ser maravilhosa! Nossa ABNT que vocês insistem em falar que não serve para nada, é tão poderosa que é capaz de atrair novos leitores pelo simples fato de “arrumar os textos”.

Vou explicar melhor: além de deixar qualquer texto apresentável e entendível, ela funciona como um atrativo estético para pessoas que não gostam de ler e claro, para perfeccionistas de plantão.

Nos textos (onde ela é mais comum) a ABNT tem um papel transformador em tudo o que você escreve, colocando nas norminhas que ela oferece, seu texto sem formatação e edição vai ficar tão agradável que mesmo se for um texto de física quântica, vai ser até legal de ler (eu sou de humanas), o famoso: agradável aos olhos.

O espaçamento 1,5 é para que as letras fiquem um pouco mais separadas e você não se perca lendo, diferente de textos com letrinhas muito grudadas que acaba com nossa visão e paciência. A margem 3cm x 2cm serve para deixar seu texto em formato de impressão e encadernação. O recuo de parágrafo é justamente para você saber que ali é um início de parágrafo; o texto todo justificado é para que ninguém leia e ache que você é sem noção, preguiçoso e desleixado, a letra Times New Roman 12 (ou Arial 12 – não gosto muito, Times é muito mais elegante) vai deixar seu texto em um padrão de escrita perfeito e elegante.

Tudo isso tem um poder – nas entrelinhas – transformador, faça o teste você mesmo! Pegue um texto bem formatado, dentro das normas ABNT e depois passe para outro completamente bagunçado? Dá até um desconforto.

A ABNT serve, obviamente, para padronizar, mas principalmente para facilitar a catalogação, documentação e até digitalização de documentos, é um padrão que torna qualquer coisa que você escreve mais atrativa e muito bem feita, principalmente se falarmos de textos acadêmicos que têm um nível de exigência muito mais elevado.

Tendo isso em vista, eis aqui meu motivo para ser uma defensora de ABNT:

Tenho me deparado com textos (de faculdade, ensino superior) recomendados por professores, e esses textos (alguns deles) não estão nas normas ABNT, isso prejudica meu desempenho na leitura e se me prejudica (eu, uma pessoa que se considera leitora), imagina pra quem não gosta de ler ou não tem o hábito?

Reforço que é importante revisar todos os seus textos, especialmente se for para publicar por meios acadêmicos, revistas importantes, artigos científicos renomados. Revisem e mesmo assim: mandem seus textos para um profissional!

Aos militantes de plantão que querem falar mal da ABNT e que “o mundo não precisa de mais padrões” eu vos desafio a pegar textos de antes de 1940 e ler. Quanto tempo levaram?

Vem de revisão!

Vem de revisão!

Gente, eu quero falar um coisa com vocês sobre edição e correção de textos (qualquer tipo), então, segue o fio, porque é importante!

Bom, eu sei que a galera que faz TCC, artigos e essas coisas já está habituada (uma parte) a mandar o texto para um corretor, um editor e digo que, às vezes, mesmo você sendo da área de linguagens e faça esse tipo de trabalho, é importante você entregar a outra pessoa, outro profissional para rever, porque podemos estar plenos de que nossos textos estão ótimos, mas nossa vista se acostuma e se cansa, às vezes passamos despercebidos por errinhos banais que outra pessoa vai ler e falar: hum… tá bom isso aqui não…

Por que estou falando isso? Porque eu tô trabalhando com correção de textos, sou formadas em Letras e sempre fui muito perfeccionista, mas muito mesmo, tento deixar meus textos, histórias, o que for, perfeitos em relação à estrutura e isso me faz observar todos os outros textos ao meu redor, tudo o que leio e tem vezes que me irrita ver que pessoas publicam artigos, teses, o escambau sem se preocupar de levar o texto pra um revisor. Gente, são textos acadêmicos!

O tanto que já peguei de texto acadêmico, enviado por professores nessa outra faculdade que tô (não escrito por eles, mas enviados para os alunos fazerem leitura), o tanto de texto mal editado que já peguei pra fichar é absurdo.

Sei que tem uma maioria que não se importa, que talvez isso seja mais coisa da galera de linguagens, mas eu venho aqui falar que é importante que vocês revisem todos os tipos de textos que fazem. 

Para aqueles trabalhinhos mais simples: revisem com atenção, vocês mesmos. Terminou de escrever, releia com atenção; para os mais elaborados como TCC, monografia, artigos, etc: se não se sentem à vontade de fazer a própria revisão do seu texto, vale muito à pena você pagar um revisor, é sério, eu não estou falando isso pra falar que vocês tem que pagar, que isso é uma propaganda do meu trabalho e dos meus amigos que trabalham com isso, eu tô falando porque é importante.

Um texto bem feito, editado e revisado vai te dar muito mais credibilidade num meio acadêmico do que um texto que você nem se deu ao trabalho de reler por conta. Digo isso lendo os textos da faculdade e pensando: poxa, o artigo é foda, mas a pessoa permitiu publicar numa revista científica, exposta pra uma galera, um texto desse jeito? Não se deu ao trabalho nem de reler?!

Releiam e revisem tudo o que vocês fazem: desde textinhos pra prova, até slides pra apresentar, e em trabalhos maiores: procurem alguém que trabalhe com isso.

P.s.: imagem meramente ilustrativa.

P.s.2: E se precisarem de revisão e edição de textos, bem como transcrição de áudio e vídeo já sabem que podem me procurar!

Onde canta o sabiá

 

Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. Para além da intertextualidade, minha terra tem cinco regiões e cada uma delas com sua diversidade de cultura e de sociedade que montam um país rico em natureza, rico em criatividade, mas pobre de governo, pobre de ajuda interna. Minha terra de nascença tem prédios altos, selva de pedra é o nome pejorativo, tem carros de todos os tipos, barulho, trânsito e poluição, tem parques bonitos, o Beco do Batman, lugares que nunca visitei pois dessa terra eu cedo saí, dessa terra eu não me lembro muito mais do que os dias que vou para lá visitar um pouco da minha família em datas comemorativas.

Uma nova terra se mostrou para mim, no auge dos meus cinco anos e meio, era uma terra, que aos olhos de uma criança, já era pequena e que as únicas memórias restantes são vagas como o jardim com um coqueiro na frente da casa, uma cachorrinha que anos depois foi roubada, vizinhos que eram adultos, amigos de escola que não falavam direito comigo por eu ser de outra cidade, essa nova terra tinha uma praça, o colégio que sofria bullying por se chamar Renne Egg e que me fez passar um dos primeiros bullyings na vida por ter que alisar o cabelo pra foto da escola e por deixar eu e outra garota de fora de algumas brincadeiras por sermos “gordas demais”. Essa terra tinha festas juninas grandiosas e gratuitas, tinha um povo que falava diferente e que por isso eu achava que eram todos italianos. Tinha muitas ladeiras e um shopping com dinossauros, um clube que todo final de semana eu ia para nadar e fazer trilhas, uma terra quente que eu morei até me darem a maravilhosa notícia de que voltaria para minha terra de nascença.

Minha terra tem prédios, um bairro com acidentes de esquina, uma rua em U, duas avós, uma em cada canto da rua, trânsito para chegar até a escola que a pé era 15 minutos, mas que como era tudo muito perigoso, tínhamos que ir de carro. Minha terra tinha um colégio que das pessoas eu consigo me lembrar quase de todas, tinha mais bullying, tinha matérias difíceis, tinha o esquema de chegar mais cedo na escola para descer para a quadra externa e pegar todas as moedas que caíam dos bolsos dos alunos quando eles faziam Educação Física se recusando a usar o uniforme adequado e colocavam o dinheiro do lanche na calça de tectel. Um colégio cheio de passagens secretas, moderno e que eu apenas me lembro de como foi difícil dar tchau mais uma vez quando me levaram para outra terra.

A nova terra tinha coisas novas, bullyings antigos, e tinha minha total aversão ao interior. Uma paulistana legítima no auge da sua pré-adolescência não podia se dar ao luxo de querer bancar a pessoa mais legal do mundo. Minha terra tinha um colégio que a princípio fazia todos os tipos de bullying, mas que me ensinou que dentro de mim tinha o poder de liderar, e no final dos anos do fundamental eu tinha virado o jogo, entre altos e baixos. Nessa nova terra tinha outro colégio, o Inferno Verde como era conhecido, tinha alienação, lavagem cerebral e tinha até alguns intercambistas. Nessa nova escola tinha divisão de alunos por nota e a educação física ficava por conta da academia que a escola incluía nas contas da mensalidade, academia que eu visitei no máximo 5 vezes nos três anos que fiquei lá.

Essa nova terra é a que eu tenho mais lembranças, foram 10 anos de interior, de pessoas que falavam “cachórra” e que puxavam o “r” de uma maneira que eu zombava bastante, mas que hoje faz parte do meu sotaque misturado. Nessa terra eu passei pela adolescência, passei pelo início da fase adulta, fiz faculdade, trabalhei, construí um pouco do que sou hoje, superei o orgulho e essa terra é o que eu hoje chamo de “minha terra”, a terra que me acolheu e que apesar das idas e vindas, foi a terra que me criou. Logo depois recebi a notícia pelos meios internéticos de que uma nova terra me aguardava, uma terra distante, uma terra que eu estava insegura de viver, ainda mais sabendo que era a primeira terra que iria mudar sozinha.

Minha terra tem cinco regiões, cada uma delas diversificada em sociedade e cultura. Das terras que vivi, visitei e passei, a nova terra era tão diversificada quanto as outras, e por quatro anos eu voltei a ser orgulhosa, eu voltei a me fechar. É difícil, pode parecer que não, mas uma mudança é sempre difícil e eu posso me considerar especialista em mudanças. Mudar para o sul foi um baque, foi aprendizado, foi um rebuliço de coisas que nem se eu ficasse aqui horas escrevendo, eu conseguiria contar metade do que foi a mudança para essa terra. O lugar que tem coxinha de carne, tem caqui (podre) de chocolate, tem coisas que eu nunca vi nem quando visitei os dois extremos do país, a chamada Rússia Brasileira, a terra do café, a terra do lago no meio da cidade, do governador que faz de tudo para acabar com a vida do professor, a terra da Universidade Estadual que está caindo aos pedaços e que nada é feito para sua melhoria, a terra das pessoas que puxam mais o “r” do que na terra de Votorantim ou na terra de São José dos Campos, a terra que eu conheci baladas, barzinhos, vida noturna, passeatas, manifestações políticas e culturais, a terra da minha liberdade, da minha independência. Onde fiz amigos de todos os lugares, tamanhos e idades, todos os gêneros e gostos, todos os tipos de políticas e que ajudaram a quebrar meu orgulho, que me acolheram e que vai ser incrivelmente difícil dar tchau mais uma vez.

Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, tem praias lindas, regiões muito chuvosas e regiões de muita seca, minha terra tem carnaval, oktoberfest, festa de São João, ano novo carioca, natal com trilha sonora de Roberto Carlos e Michael Jackson, minha terra tem vegetação, tem floresta Amazônica, tem cerrado, tem Jalapão, tem divisas com outros países, tem muitos estados. Minha terra tem pessoas. Tem pessoas de todos os tipos, e eu conheci algumas pessoas nessa minha vida jovem de “andar por esse país, pra ver se um dia descanso feliz, guardando as recordações das terras onde passei, andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei”.

Minha terra não é espaço físico, é mais como o Sertão de Guimarães Rosa, minha terra é personagem, é cada pessoa que me passou por mim seja de maneira rápida, seja de maneira que dura anos e que vai durar muito mais. Minha terra é esse Brasil, porque dele eu ainda não saí, e até que eu saia um dia para fazer seja lá o que for eu quero ter comigo pessoas, pessoas que guardo na memória e no coração, pessoas para rir, chorar, cantar, dançar, brigar, gritar, pessoas.

Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.

Para todos os leitores

O mundo de um leitor é amplo e vai desde o livro físico até o virtual! Então vou juntar o melhor desses dois mundos em um informativo só!

Vocês já ouviram falar do @litegatura?

Não?!

Pois então está mais do que na hora de saber do que esse instagram se trata!

É um sebo virtual de uma amiga minha, livros com preços acessíveis, bem conservados, os melhores títulos que você possa estar procurando e com entrega para todo o Brasil!

Não deixem de seguir! Você, leitor que ama comprar um livrinho físico, montar sua pequena (ou grande) biblioteca em casa, entre em contato com esse sebo! Aposto que não vai se arrepender!

Mais informações sobre isso?

É só dar um cliquezinho aqui!

Escrever

É engraçado como às vezes me perguntam sobre minha facilidade de escrita. Fico realmente chocada com essas perguntas porque para mim escrever é tão natural, tão simples que não percebo que têm pessoas que realmente sentem uma dificuldade enorme com as palavras num papel, seja ele eletrônico, seja ele uma folha de caderno. Vejo meus alunos do ensino médio com muita dificuldade em redação, colocar ideias no papel, para mim, é algo tão mais simples do que simplesmente dizê-las e são nesses momentos que percebo que escrever não é assim tão fácil, que para algumas pessoas seria o equivalente a eu, Yasmin Caminata, mexer com qualquer área de exatas, quase impossível.

Eu não me lembro com muita clareza o dia que resolvi que queria ser escritora, eu já quis ser tanta coisa na vida, mas todas elas voltadas para o meu sonho mais puro que carrego comigo até hoje: ser famosa. Já pensei em ser cantora, atriz, youtuber, blogueira (ainda tento), qualquer coisa boa que me levasse a uma fama e reconhecimento que até hoje procuro, mas é nas letras, nas palavras escritas que me expresso melhor e como eu sofro em saber que esse ramo é o mais difícil de conseguir alcançar meu objetivo, mas sigo na batalha, quem sabe um dia…

Eu já pensei em ser até comediante, a arte de contar piadas sem graça, mas que de alguma maneira faz o povo rir é algo que herdei do meu pai, o próprio tiozão da família que faz a piada do Pavê. Como eu disse, eu não sei bem o dia que resolvi que seria escritora, mas eu me lembro do primeiro livro que escrevi com sete anos. Eu sempre tive uma imaginação muito fértil, brincava sozinha muitas vezes, mas na minha cabeça tudo era uma grande aventura e um dia, brincando de qualquer coisa com minha prima decidimos que faríamos um livro de contos. Eu nem sabia o que era conto, mas peguei papel e lápis, sentei na mesa da sala de jantar, olhei para o teto como se esperasse alguma força mística e colorida descer até mim e então me lembro de sorrir e colocar um título no papel. Devo ter passado horas naquela tarefa, porque minha prima já me chamava pra brincar de outra coisa e eu ainda estava lá, tinha feito por volta de seis histórias bem curtinhas, bem simples que agora não me recordo, tinha uma de princesa, porque princesa não podia faltar, tinha uma de dragão, o conteúdo todo eu não me recordo, mas lembro de colocar o ponto final e sorrir para o amontoado de folhas.

“Vamos ficar famosas!”

Eu disse muito animada, pedi as histórias da minha prima e ela tinha feito menos que eu, mas juntamos todas, dobramos as folhas sulfites como se fossem um livrinho, grampeamos, fizemos uma capa com lápis de cor e giz de cera, enfeitamos com uma fitinha lilás e estava pronto, meu primeiro livro já com co-autoria. Em uma das minhas muitas mudanças de casa e de cidade ele deve ter se perdido e eu nunca mais o encontrei, mas lembro dele muito vivo na minha mente. Foi com sete anos que minha facilidade de escrita começava a se manifestar, mas foi só no ensino médio que ela voltou com força. Eu voltei a escrever com mais vontade depois de conhecer o mundo das fanfics, One Direction é parte principal nessa minha nova fase e eu sempre vou me orgulhar de dizer isso, porque foi nessas histórias ficcionais escritas por fãs (fanfic, para os íntimos) que eu me redescobri escritora.

Para mim é muito fácil escrever, menos quando estou no bloqueio literário. Minha imaginação sempre foi muito fértil, e eu sempre me expressei melhor com palavras escritas do que com palavras faladas, escrever é como meu super poder, eu me sinto poderosa digitando textos, escrevendo em folhas de papel, por mais que não agrade todo mundo, principalmente professores da Faculdade de Letras, mas é o que mais amo fazer, é uma das únicas coisas que sei fazer bem, a minha maneira, mesmo não conquistando a muitos. Escrever para mim é um escape, é conversar comigo mesma e saber desenrolar o nó de pensamentos e ideias que existe na minha cabeça, escrever pra mim é como uma terapia, é diversão, é mágico.

“Viver para escrever um alfabeto de sonhos”

Essa frase é minha, está nas minhas costas do lado direito juntamente com o desenho de uma pena de escrever. Escrever é um ato de liberdade para mim, escrever me leva a mundos incríveis, mais até do que ler, porque quando eu escrevo eu vou além de imaginar, eu crio, eu reflito e não digo isso apenas das minhas histórias ficcionais, todos os meus textos tem alguma lição, alguma reflexão, escrever para mim é ensinar, é mostrar através de contos, romances e textinhos com linguagem informal e muitas vezes engraçada que há algo para se refletir.

Hoje é dia 25 de julho do ano de 2019, mesmo o ano não sendo tão importante assim. Hoje é dia 25 de julho, dia do escritor. Hoje é dia 25 de julho, meu dia, dia de tantas outras pessoas que conheço e que estão nesse ramo de difícil visibilidade, mas que se sentem poderosos com um papel e caneta na mão, ou quando abrem um documento em branco no computador.

Hoje é dia 25 de julho, para todos os escritores que estão lendo isso: feliz nosso dia!

PLÁGIO É CRIME

plagio

O plágio é algo, também conhecido por “ctrl c, ctrl v” é o ato de copiar frases, textos, ideais e não dar os devidos direitos autorais para o autor. Seja parcial ou total, o plágio é crime, crime com penas, crime previsto pela lei.

“Crime de Violação aos Direitos Autorais no Art. 184 – Código Penal: Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.”

Não é só isso, eu vou deixar aqui o link do Porta da Educação para aqueles que tiverem interesse de ver os demais parágrafos com relação a esse Art sobre o Crime de Plágio.

Eu sou escritora, estou nesse ramo da Literatura Digital e seus demasiados meios de publicação na internet há anos e infelizmente eu já fui plagiada não uma, não duas, mas diversas vezes. Já plagiaram meu livro, meus principais contos e o sentimento é horrível. Como se tudo o que demoramos dias, meses, anos para concluir fosse por água abaixo, como se ficássemos sem chão, e isso não serve apenas para a Literatura em si, mas para tudo. É importante ter em mente que por mais que pareça “exagerado” tem, sim, que recorrer à justiça, é o certo a se fazer.

Eu já escutei de autoras colegas minhas que “isso é normal, acontece, vamos fazer o quê?” Numa frase cheia de comodismo e desesperança. Mas estou aqui para falar que não, não podemos nos acomodar, PLÁGIO É CRIME e temos que lutar para combatê-lo.

Ninguém, absolutamente ninguém, deve passar por isso e ninguém deveria se sentir no direito de copiar coisas dos outros.

Mas também é de suma importância falar de uma conscientização para além do mundo literário, não adianta nos revoltarmos com o plágio e nós mesmo copiarmos coisinhas “bestas” para artigos científicos, trabalhos de escola/faculdade, dissertações, teses e monografias.

O que achamos que “ninguém vai notar” é a mais pura hipocrisia temos dentro de nós, é o trabalho de alguém, é a frase de alguém e é importante que ela seja exposta sim, mas dando os devidos direitos autorais para o verdadeiro criador.

Repito que: PLÁGIO É CRIME!

Não tenham medo de denunciar e fazer algo a respeito e, para aqueles que pertencem ao mundo criativo da literatura, seja ela erudita ou de massa, eu venho oferecer uma dica de segurança que talvez alguns ainda não conheçam: todas as obras literárias que vocês tenham, desde as fanfics mais clichês até as mais originais, contos, c^ronicas, livros, romances, artigos e tudo o que envolve a escrita, todas elas são obras de vocês, registrem! A Biblioteca Nacional está aí para isso, eu já registrei várias, tem um custo de 20 reais por história sejam elas de 2 páginas ou 2000, registrem porque para qualquer imprevisto infeliz vocês tenham como recorrer sem frustrações!

Vamos todos nos ajudar!

Links da pesquisa:

Portal da Educação, Crime de Plágio: https://www.portaleducacao.com.br/…/direito/o-crime-d…/50044

Biblioteca Nacional, Registro ou Averbação: https://www.bn.gov.br/…/direitos-auto…/registro-ou-averbacao

31 de Março

Aula de História do Brasil.

Não é de hoje que o Brasil está dividido entre extremistas, neutros, os que apoiam partidos, causas e movimentos. Não é de hoje que acontece uma luta política nesse país, não é de hoje que a frase “intervenção militar já” vem aparecendo sonoramente na boca de manifestantes, em cartazes nas passeatas, em postagens nas redes sociais.

Vamos então pegar essas duas palavras e falar um pouco sobre elas, primeiramente separadas.

Intervenção: de acordo com o dicionário Michaelis temos várias definições para essa palavra, muitas delas falam de política e governo, deixarei o link no final para quem quiser conferir. Uma das definições que poderia nos servir seria:

“Interferência do Estado no domínio econômico, geralmente para regular coisas ou apurar irregularidades”

Ou também:

“Interferência judicial do governo federal em um estado da federação, geralmente para evitar a perturbação da ordem”

Interessante avaliar os conceitos das palavras, mas ainda tem mais uma que talvez se adequaria ao que vou falar mais para frente:

“Procedimento por meio do qual um terceiro indivíduo intervém em processo judicial, a fim de proteger seus legítimos interesses”

Proteger seus legítimos interesses. Interessante. Talvez eu não precise colocar aqui qual a definição da palavra militar, mas vou colocar para que toda a pesquisa esteja de fato completa.

A primeira definição que me chama atenção é “relativo à guerra”… O link estará no final do texto também. Agora vamos juntar as duas palavras: Intervenção Militar, os conceitos se juntam e o caos foi formado. O significado dessas duas palavras juntas nunca mais foi o mesmo depois de 1964, o que essas duas palavras juntas representaram para toda uma nação é assombroso, é horrível, é triste, é para se pensar. Então vamos de fato falar sobre essa Intervenção Militar.

Para quem não sabe por falta de estudo em História do Brasil, por ignorância ou incapacidade de pensar um pouco melhor, ou até mesmo por conta da idade que já permitiu que certos indivíduos se esquecessem o que aconteceu, eu explico o que ocorreu entre 1964 e 1985.

Durante esses anos nosso país sofreu uma Intervenção Militar. Um golpe planejado por militares que ocorreu em 31 de março de 1964 e resultou no afastamento do Presidente da República, João Goulart e quem assumiu o poder foi o Marechal Castelo Branco (sim, é o nome da rodovia). Este golpe (lembre-se 1964) foi instaurado como “revolução” e que acabou se transformando na Ditadura Militar. Durou até a eleição de Tancredo Neves em 1985 (façam as continhas).

Por que os militares deram o golpe?

A justificativa era única naquela época: alegação de que havia uma ameaça comunista no país. Bom, não vamos entrar nessa parte, vamos continuar nossa aulinha para nossos colegas desprovidos de conhecimentos históricos brasileiros.

Logo após o golpe, foi estabelecido o AI-1. AI é Ato Institucional e naquela época cada AI que aparecia era como um tapa na cara, um tiro no peito, um absurdo a mais. AI-1 tinha 11 artigos que davam ao governo militar o poder de modificar a constituição (que beleza, não é?), anular mandatos legislativos, interromper direitos políticos por 10 (fucking) anos e claro: demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente QUALQUER PESSOA QUE FOSSE CONTRA A SEGURANÇA DO PAÍS.

E não foi só isso, durante todo esse período de 20 anos, muitos AIs foram colocados em prática, não citarei todos aqui, mas quem quiser dar uma pesquisada depois, vale à pena. Mas a pergunta que não quer calar: O que isso resultou para o nosso país?

“Durante o regime militar, ocorreu um fortalecimento do poder central, sobretudo do poder Executivo, caracterizando um regime de exceção, pois o Executivo se atribuiu a função de legislar, em detrimento dos outros poderes estabelecidos pela Constituição de 1946. O Alto Comando das Forças Armadas passou a controlar a sucessão presidencial, indicando um candidato militar que era referendado pelo Congresso Nacional.” (Só História)

Em resumo: sabe a nossa liberdade de expressão? Não tinha. Pensar ir contra o regime militar era cavar sua própria cova, na verdade, nem cova você iria ter. Eles te torturariam, justificariam a sua família que você apenas sumiu, seus restos mortais seriam jogados em qualquer canto e talvez ninguém nunca mais ia saber do seu paradeiro, sua família ficaria com a incerteza de saber se você realmente morreu e a esperança de que talvez, só talvez você pudesse estar vivo.

Partidos políticos, sindicatos, agremiações estudantis, e organizações representativas na sociedade? Sofreram interferência do governo, ou seja, apoiar qualquer outra coisa que não fosse o regime militar? Morte.

Meios de comunicação, manifestações artísticas? O que é isso nessa época? Fez uma música maneira e quer lançar ela nas rádios? Ok, mas antes terá que passar pelo processo de censura. Foi contra? Exílio.

Ah mas e a economia? Bom, a década de 1960 iniciou um período de grandes transformações econômicas no Brasil, modernização da indústria e dos serviços, concentração de renda… Até aí tá legal, mas sabe o que aconteceu depois? Uma das maiores inflações que o povo brasileiro já viu, endividamento externo do país e a bola de neve que já estava grandinha, começou a rolar.

A Intervenção Militar NÃO FOI boa para nosso país, só quem apoiava esse regime eram os militares, o país vivia com medo de qualquer deslize ser justificado em algum ato contra o militarismo.

Famílias inteiras foram destruídas, eu não postarei fotos aqui, mas quem tiver estômago e cabeça para ver, dê uma pesquisada. CRIANÇAS foram torturadas, mulheres grávidas, homens, todo tipo de pessoa que o governo considerava “suspeito”.

Nós temos a mania de achar que tudo do estrangeiro é “melhor” que no nosso país, falamos mais até do Nazismo na Alemanha do que no Regime Militar aqui no Brasil. Mas os dois representaram a mesma coisa: caos, medo, mortes e anos de reconstrução psicológica e de um país inteiro.

A volta da democracia é símbolo para nós brasileiros, a volta do poder de voto da população. Eu não nasci nesse período, mas eu estudei sobre. Sugiro que estudem também, principalmente os jovens para pararem de falar besteira por aí e os mais adultos para relembrarem o que foi esse período.

Afinal, que absurdo você deve ter cometido em outras vidas para nascer num país que um homem de fardinha resolve meter o louco a cada 50 anos?

Parem de apoiar o extremismo, parem de levar a religião para a política, parem de defender político com todos os tipos de preconceitos do mundo. Mas se mesmo assim você continua com essa ideia de Intervenção Militar, de apoiar governante que só fala merda, eu só penso na sua família, na sua namorada, mulher, marido, porque se ainda há persistência, quer dizer que em alguma coisa você se identifica com tudo isso, e eu tenho certeza que não são coisas boas.

Pensem bem, ESTUDEM bem antes de qualquer coisa, antes de falar, de agir e principalmente, antes de votar. O destino da nação quase sempre esteve em nossas mãos e eu vi o que essas mãos podem fazer se não abrirem um livro de história antes de qualquer coisa, principalmente antes de votar.

Anexo (o AI-5)

“Nos onze anos em que vigorou, o AI-5 permitiu que os militares perseguissem, prendessem e torturassem milhares de pessoas, levando a óbito centenas, dentre elas, algumas cujos corpos até hoje não foram encontrados. Em um contexto de euforia nacionalista e milagre econômico, o AI-5 teve espaço amplo de atuação gerando reação contrária de resistência que fortaleceu os movimentos de oposição e a luta armada.”

Bibliografia de pesquisa

http://michaelis.uol.com.br/…/portug…/interven%C3%A7%C3%A3o/

http://michaelis.uol.com.br/…/busca/portugues-bras…/militar/