No final da tarde de sábado, Gen se arrumou para seu mais novo show temático. Dennis conseguiu com que o diretor liberasse todos mais cedo e toda a equipe foi convidada pela Gen em pessoa para irem ao bunker. O espaço era grande, mas naquela noite talvez lotasse um pouco mais, a popularidade do bar de madeira cresceu desde que Gen chegou, sua frequente atividade nas redes sociais do lugar só faziam o Holzbunker ser cada vez mais conhecido e visitado. Agora poucos eram os que encontravam aquele lugar por acaso como foi o caso de Dennis e da própria Maria Eugênia.
A passagem de som com a banda improvisada de Gen incluía muitas músicas sendo cantadas em dueto com Zoë, Mike também exibiria seu vocal, além dos solos de guitarra. Lisa ficaria na recepção dos clientes, função que ela mesma se deu ao luxo de usufruir em mais uma noite especial para a amiga. O show foi iniciado com Zoë, seria um número de abertura para que Gen tivesse uma entrada triunfal e muito aguardada pelos clientes mais fiéis e o pessoal mais novo no bar.
— Obrigada… – Zoë disse depois de ser aplaudida por cantar algumas músicas, estava nítida nos rostos das pessoas a ansiedade deles para que Gen subisse no palco – Acho que a hora que vocês mais aguardavam chegou, enfim… – algumas pessoas gritaram o nome de Gen – Por favor, aplausos para uma das melhores pessoas que já conheci na vida… – Gen se levantou da mesa que estava sentada com Dennis e subiu no palco sendo ovacionada.
— Obrigada, Zoë… – Gen pegou o microfone da mão da amiga – Antes de mais nada eu quero contar pra vocês uma pequena história, se me permitem… – ela olhava pra Lisa no fundo do bar – Esse lugar aqui já viu coisas boas e coisas ruins, na verdade, ver ele não viu nada, mas sentiu… Isso aqui é um bunker de verdade, pessoal, e depois das Guerras os donos daqui encontraram uma nova função. – Lisa sorria para Gen – Já tem três gerações que esse bar vive e cabe a todos nós aqui e vocês continuarem mantendo vivo esse lugar que me encantou desde o primeiro dia, assim como a dona dele… – ela piscou para Lisa – Eu não tenho moral nenhuma pra cantar essas músicas, mas eu também não tenho vergonha na cara… – ela olhou para a banda – Essa é Chain of Fools… – a banda iniciou o blues de Aretha Franklin e mais rápido do que Gen podia imaginar, os clientes se soltaram na pista de dança improvisada na hora com as mesas e cadeiras sendo arrastadas para liberar espaço.
— Eu tô gravando… – Lisa disse para Dennis que foi até ela no fundo do bar, depois de um ótimo início de show de Maria Eugênia – Guardar de recordação…
— Me manda depois! – ele disse sorrindo vendo Gen e Zoë interagirem muito bem no dueto de Oh, happy day!
— Eu fiz isso aqui, acha que ela vai gostar? – Lisa foi atrás do balcão do bar e tirou de lá um porta-retratos da cantora com a banda que tinha montado.
— Vai amar, eu tenho certeza! Vai pendurar com os outros? – Dennis olhava os outros porta-retratos iguais de moldura preta e a foto em preto e branco das bandas e dos cantores que já tinham passado pelo bunker.
— Vou, mas vai ficar em lugar de destaque, aqui no meio… – Lisa mostrou onde pretendia colocar – Me diz que você vai dormir lá em casa hoje…
— Olha, eu não acho muito adequado esses tipos de fetiche com amigos… – Dennis riu.
— Não, Dennis! Meu Deus! – Lisa ficou vermelha – É porque eu tô com medo da Gen sumir amanhã, se você dormir lá quer dizer que ela não vai embora, porque eu tô com medo de isso ser um show de despedida… Ah não, falei demais…
— Ela me contou, Lisa, fica tranquila e eu vou dormir lá sim.
— Como você tá com relação a isso?
— Não sei dizer, acho que triste… Mas, como a própria Gen disse, não vamos pensar nisso e olha que mulher maravilhosa e que voz incrível! – Gen se soltava no palco, parecia se divertir muito, os clientes dançavam como sabiam e como podiam no espaço mais limitado do bar.
— Eu acho que eu mereço minha própria cerveja… – Lisa disse sorrindo para Gen no palco.
— Está certíssima, mas sem exageros, você é a dona do bar e está trabalhando… – Dennis disse voltando para a mesa que dividiu com Gen e que seus amigos de elenco estavam.
— Se me permitem uma pausa… – Gen disse depois de cantar por quase duas horas seguidas – Zoë vai saber mandar muito bem, como já sabem… – Gen disse saindo do palco, passando nos corredores e indo para fora do Holzbunker.
— Uma cerveja pra você e um presente que não vai ficar com você… – Lisa disse acompanhando a amiga e levando uma caneca de cerveja pra ela e um embrulho mal feito.
— O que é isso? – Gen perguntou rindo e abrindo o embrulho antes de pegar a cerveja – Lisa! – ela sorria – Vai me emoldurar na sua parede de famosos?
— Vou, mas eu vou te mandar a foto original depois no whatsapp… – Lisa sorria ao ver Gen empolgada – Toma, você merece, mas só uma por hora… – ela entregou a cerveja pra Gen.
— Dizem que bêbada eu canto até melhor… – Gen ergueu uma sobrancelha.
— Não no meu bar. – Lisa riu e viu Dennis se aproximando – Juízo vocês e vê se volta logo… – ela disse voltando pro bar com o porta-retratos.
— Ela fez um quadro da minha banda improvisada! – Gen disse sorrindo largamente – O que está achando das minhas performances de hoje?
— Sempre acho muito boas, não tem nem como falar que não… – Dennis deu um selinho em Gen – E por isso mesmo que vim aqui te implorar pra voltar que eu quero ouvir mais suas cantorias…
— Eu não posso ter nem um descanso, francamente… – Gen revirou os olhos – Vamos, agora é Etta que vou cantar – Gen voltou para o bar com Dennis e subiu novamente ao palco assim que Zoë terminou a música – Agora o que acham de uma musiquinha mais lenta pra acalmar os nervos? – ela disse sorrindo e piscou para Lisa e Dennis – Vamos de Stormy Weather… – Dennis entendeu o recado de Gen e se juntou com Lisa para uma espécie de valsa.
O bar estava cheio, pessoas fora dele na superfície esperavam um momento pra poder entrar e curtir um pouco que fosse do grande show de Gen. A música podia ser escutada da rua e quem não conseguia um lugar para participar dentro do bunker curtia como podia do lado de fora, fumando, bebendo, sendo supervisionados por alguns seguranças contratos por Lisa.
— Eu fico muito feliz e agradecida por toda essa recepção, é uma honra cantar aqui no Holzbunker, obrigada a Lisa por permitir que eu virasse uma espécie de cantora interina aqui, já tenho até meu crachá! – Gen falava no microfone depois de mais músicas cantadas – Eu gostaria de encerrar minha performance de hoje com uma música da Aretha que eu resolvi deixar agora pro final, é uma das minhas músicas favoritas dela e eu espero que ela não se decepcione com minha cantoria… – Gen mais uma vez deu sinal para a banda – There’s an old friend that, I once heard say, something that touched my heart, and it began this way… – Gen fez uma pausa para pegar fôlego, fechou os olhos para sentir sua parte favorita da música – I was born by the river in a little tent, and just like the river I’ve been runnin ever since. He said it’s been a long time comin’ but I know my change is gonna come…
— Tá chorando? – Dennis perguntou pra Lisa assim que viu a amiga de Gen emocionada.
— E tem como não chorar com uma música dessas e a Gen cantando com tanto sentimento? – Lisa respondeu sem tirar os olhos de Gen.
— Realmente, eu estou arrepiado… – Dennis mostrou o braço com os pêlos de pé.
— Ainda bem que tô gravando… – Lisa tentava enxugar as lágrimas em vão.
— E ainda bem que vai me mandar esse show depois… – Dennis riu.
Gen mais uma vez acordou cedo no domingo, sem querer acordar ninguém da casa depois de uma noite agitada para todos, ela se vestiu e foi fazer sua caminhada dominical até a Catedral. Não era religiosa de praticar alguma religião específica, mas gostava de estar perto de algo divino e agradecer sempre que podia por tudo o que acontecia em sua vida. Quando voltou para a casa de Lisa, Dennis e sua amiga ainda dormiam, Maria Eugênia resolveu preparar um bom café da manhã para os dois e para terem um dia de descanso antes de mais uma noite agitada no bar trabalhando, os três passaram o domingo conversando, vendo filmes e se divertindo isolados na casa de Lisa.
Lisa levantou cedo na segunda-feira, ainda na parte da manhã, tinha se remexido na cama a noite toda depois que ela e Gen voltaram do bar e quando estava conseguindo pegar no sono despertou assustada sem saber o motivo, resolveu levantar e ver se Gen já tinha saído para sua caminhada matinal de todos os dias, mas tudo o que encontrou na mesa da cozinha foi um envelope, soube na hora que o dia que ela não queria que chegasse tinha de fato chegado e se sentiu completamente enlutada ao abrir o envelope grande e bege com a caligrafia de Gen que ela pouco conhecia.
“Lisa, eu sei que isso te faz mal e te faz sofrer por antecipação, eu sei que tem fumado muito mais do que o normal essas semanas com medo da minha partida, mas você sempre soube e eu também sempre falei que iria embora um dia.
Colônia me prendeu por mais tempo do que eu poderia imaginar e eu não culpo a cidade, nem você, nem o Dennis, nem ninguém, pelo contrário, me sinto muito feliz por todos os dias e meses que passei aí com vocês e nessa cidade maravilhosa.
Eu não me despedi porque eu não aceito que isso seja uma despedida, eu tenho um objetivo Lisa, você sempre soube dele e está na hora de eu voltar para minha jornada pelo mundo. Como eu sempre te disse: é só um ‘até breve’, não vou sumir pra sempre, você tem meu número oficial e tem minhas redes sociais, meu próximo destino você vai saber dentro de algumas horas, logo estarei postando.
Tudo o que fez por mim desde o primeiro dia eu espero que tenha conseguido recompensar e eu jamais te deixaria na mão em um momento de evolução tão importante quanto esse. A Zoë não apareceu apenas para me substituir em um show ou outro, a Zoë está no meu lugar agora, a banda vai continuar tocando ao vivo até que você se canse e eu espero que não se canse nunca. O Holzbunker é um bar lindo e eu me apaixonei por ele desde o início, assim como me apaixonei por você. Se eu puder pedir esse singular favor: não deixe os shows ao vivo terminarem nunca! Eu vou voltar um dia e vou cantar mais uma vez nesse palco e essa é a minha promessa, você sabe que eu sempre cumpro minhas promessas…
Um dia quando eu resolver me estabilizar, sossegar na vida e pensar num bom lugar para viver eu espero que venha me visitar e me conhecendo do jeito que me conheço, eu tenho quase certeza que esse lugar vai ter que ser perto de Colônia, passaria os anos finais da minha vida aí tranquilamente…
Desculpa se te decepcionei não ficando, me dói muito ir embora e por isso que ressalto mais uma vez que não gosto de despedidas, por isso eu simplesmente acordei hoje, arrumei minhas malas e fui embora.
Não consegui me ‘despedir’ do Dennis e espero que ele entenda, mas se puder dizer pra ele que tudo o que passamos nessas poucas semanas foi valioso pra mim, eu agradeço. Sou uma mulher de paixões e Dennis, assim como você, foram minhas grandes paixões em anos, claro que não no mesmo sentido. Torço para o sucesso de vocês dois, sempre!
É só um até breve, meu anjinho…
Eu te amei de início e sigo te amando.
Não bebe muito e, por favor, tenta parar de fumar, não quero que você morra cedo…
A gente se vê por aí,
Com amor, carinho e muita gratidão,
Maria Eugênia.
P.S.: Lisa, eu fiz os levantamentos da semana, as listas estão no seu computador, já pedi reabastecimento de estoque e quinta-feira a banda do Hanz volta. Também fiz uma lista que está no seu computador com quais bandas locais que eu gostei que você pode e deve chamar para show no bunker.”
A tarde chegava rapidamente e sem ter reação depois dos baques iniciais da manhã, Lisa não conseguiu fazer mais nada a não ser sentar no sofá e encarar a televisão ligada sem prestar atenção no que estava assistindo. A campainha tocou e a mulher precisou juntar toda a força que tinha para levantar e abrir, tinha uma leve ideia de quem poderia ser.
— Egito… – Dennis tinha os olhos vermelhos, mas sorria quando Lisa abriu a porta – Ela acabou de postar… – Lisa não conseguiu falar nada, Dennis a abraçou na soleira da porta.
— A glória de uns é a tristeza de outros… – ela disse soluçando no abraço de Dennis.
— Um dia ela vai voltar, eu tenho certeza… – foi só o que ele conseguiu dizer naquele abraço cheio de dor.
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Foi como o início de um luto que seria superado mais rápido do que um verdadeiro período de tristeza. Sentir falta de Gen era inevitável, Lisa preferiu dar a distância que Gen implicitamente queria ter e a acompanhava pelo mundo pelo instagram, assim como Dennis fazia. As gravações se encerraram em julho como o previsto, Lisa se despediu oficialmente de Dennis no início daquele mês, sentia que seu período de dor duraria mais ainda ao ver que dois grandes amigos tinham seguido suas vidas.
A estreia do filme foi em fevereiro do ano seguinte, Lisa foi como convidada de Dennis e a esperança que os dois tinham era de que Gen respondesse a mensagem dizendo que aceitava o convite, mas Gen não respondeu, devia estar com outro chip em outro país, e quase não devia ver o número oficial do Brasil.
Maria Eugênia postou fotos na Índia vestida como as mulheres de lá, vídeos aprendendo na prática sobre a cultura do país, fotos com crianças nas comunidades que ela se voluntariou para ajudar, fez o mesmo indo para alguns países na África, ficando em aldeias por algumas semanas e doando um pouco do tempo e do dinheiro que tinha juntado para causas humanitárias. No final do ano ela postou vídeos na Turquia, em cidades no Oriente Médio, as pessoas que ela conhecia por todos os lugares a marcavam em fotos tiradas sem que Gen percebesse, geralmente eram as fotos da ajuda humanitária que Gen estava fazendo em cidades que sofreram ataques aéreos ainda no Oriente Médio.
A foto que Dennis mais gostava, com exceção da foto que ela postou dele no set de filmagem de Colônia, mas não só dele, o elenco todo aparecia trabalhando, foi em um dos dias de caminhada de Maria Eugênia, tirando essa foto, a que ele mais gostava do instagram dela era de Gen na Austrália em abril do ano seguinte, mostrando a briga de uma aranha enorme que tentava comer uma cobra e como legenda colocou que o resultado foi ela correndo pra fora da casa quando as duas entraram no apartamento que ela estava. A preferida de Lisa era de Gen na Rússia em pleno inverno, completamente cheia de blusas e Lisa sabia que Gen estava sofrendo muito, porque frio era a pior estação do ano para Maria Eugênia, assim como também amava a foto que Gen tinha postado do bunker em um dia de show.
Era final de maio quando Lisa ligou para Dennis.
— Daqui alguns dias vai dar um ano do show da Gen do Elton John… – ela disse assim que Dennis falou “alô”.
— Verdade, já se foi um ano…
— Zoë deu uma ideia e eu resolvi te ligar pra saber se você toparia…
— Qual seria? – Dennis perguntou curioso, estava deitado na sua cama, na sua casa, na capital alemã.
— Zoë quer refazer o show, colocar no instagram do bar, é só uma ideia, eu sei que a Gen vai ficar feliz de ver isso, mas também sei que as chances de ela vir são mínimas…
— Bom, se a Gen não for, coitada dela, porque eu vou! – Dennis disse sorrindo sabendo que Lisa não podia vê-lo.
— Vem mesmo? – Lisa perguntou esperançosa – Vai ser no mesmo dia, esse ano cai na sexta…
— Mas é claro!
— Mike disse que sente no coração dele que a Gen vai vir, mas já falei pra ele parar de se iludir, pelo menos ela estará avisada…
— Eu vi sua foto, dona Lisa, então está mesmo namorando o Mike?
— É… Ele é mais meu tipo… – Lisa riu – Vi fotos suas com sua nova affaire, procede?
— É minha prima, não procede… – ele riu – É difícil esquecer a Gen quando toda hora ela posta uma foto nova no instagram e eu lembro que ela é maravilhosa…
— Pode se hospedar na minha casa, o quarto de hóspedes você conhece como ninguém mesmo… – Lisa disse rindo.
— Estarei aí em alguns dias!
Zoë deu início à noite de Elton John com a mesma playlist que Gen tinha usado no mesmo show no ano anterior. Como na última apresentação de Gen, muitas pessoas compareceram ao bar, os clientes mais fiéis com a expectativa de que quem fosse cantar seria Maria Eugênia. Eles tiveram um leve desapontamento momentâneo ao ver Zoë, mas logo se animaram, Zoë era tão boa cantora e carismática quanto Gen. Dennis tinha ajudado Lisa com os preparativos no dia, fizeram uma iluminação especial para o show e o bar lucrava mais uma vez como nunca.
— Essa música não estava na playlist da Gen ano passado, mas foi ela quem me introduziu ao Sir Elton e eu tomei a liberdade de colocar minha música favorita aqui… É ela que vou cantar agora… – Zoë disse depois de uma hora e meia de show. Dennis estava sentado no banco que se sentou naquela mesma noite no ano anterior e naquela hora Lisa estava com ele o acompanhando – Vamos lá… Essa é Curtains…
I used to know this old scarecrow
He was my song
My joy and sorrow
Cast alone between the furrows
Of a field no longer sown by anyone
I held a dandelion
That said the time had come
To leave upon the wind
Not to return
When summer burned the earth again
O salto quadrado do coturno de Zoë batia para marcar o ritmo lento da música, um casal dançava como se fosse valsa, Dennis e Lisa sorriam para a cantora interina do bar. Na rua, quem não conseguia entrar escutava o som e se deliciava como podia, dançando, fumando, conversando e bebendo a cerveja artesanal do Holzbunker.
Oh
Oh
Cultivate the freshest flower
This garden ever grew
Beneath these branches
I once wrote
Such childish words for you
But that’s okay
There’s treasure children always seek to find
And just like us
You must have had
A once-a-upon-a-time
Oh Oh Oh Oh Oh
O bunker de madeira tinha um cheiro peculiar de cerveja, joelho de porco e madeira mesmo. Foi a primeira coisa que Gen notou quando conheceu o lugar e era o mesmo cheiro que ela inalava naquela noite quando desceu as escadas do bunker escutando a voz de Zoë da rua. A noite do Elton John virou um marco para Lisa que fez questão de repetir a dose um ano depois, Maria Eugênia sorria para o lugar, sorria para o palco e até tentou fazer sinal para que Zoë não dissesse nada para não cortar a música, mas a sílaba escapou da voz da cantora nos versos finais. “Gen”.
Oh Oh Oh Oh Oh
Lisa virou para a direção de onde Zoë olhava de olhos arregalados, mas não parando de cantar e levantou correndo para ir até Gen que sorria com os olhos marejados e recebeu a amiga num abraço apertado e demorado, sem conversa, apenas sentimentos. Logo depois olhou para Dennis que caminhava na mesma direção de Lisa, o sorriso largo e os olhos azuis percorrendo todos os detalhes de Gen, o novo corte de cabelo que dava a ela uma franjinha e um cumprimento maior na parte da frente que na parte de trás, a maquiagem, o sorriso largo da mulher com quem ele se envolveu no último verão.
— Até você veio, senhor cliente? – ela disse quando Dennis a abraçou sentindo o perfume doce no pescoço de Maria Eugênia e relembrando os melhores momentos do último verão.
Oh (lovely-lovely)
Oh (lovely-lovely)
Oh (lovely-lovely)
Zoë continuou o longo refrão final da música que preencheu a atmosfera do bar seguida de uma salva de palmas pela chegada de Gen. Aproveitando os segundos finais, Gen puxou Lisa para a pista de dança improvisada e valsava com a amiga, Dennis sorria ao ver a cena. O bunker de madeira recebia mais um dia para guardar na memória e na história.
