O inferno, parte I
Jenna
Eu não conseguia dormir, Antoniett já estava deitada e dormia como uma princesa, mas eu não conseguia fechar os olhos. Levantei devagar e vesti um sobretudo. Fui para a área do Circuito, era de madrugada e logo mais iria para a guerra, provavelmente eram meus últimos momentos na base militar.
– Sem sono? – me virei e vi Sparks se aproximando.
– Mais ou menos… – sorri.
– Vamos voltar vivos porque tivemos uma excelente treinadora… – ele tentava me acalmar.
– É bom que voltem inteiros… – nos sentamos no chão.
– Vou ficar de olho no Capitão por você… – ele disse sorrindo.
– E quem vai ficar de olho em você, Harry? – ele me olhou confuso – Você faz parte dos meus vínculos fortes agora, então eu não quero que você morra… – algumas lágrimas caíram e eu abaixei a cabeça.
– Eu não vou morrer, nem eu, nem o Capitão, Jenna… – senti a mão de Sparks em meu cabelo.
– Eu não vou deixar que morram… – enxuguei as lágrimas e sorri para ele – Vá dormir enquanto pode, amanhã você vai para o inferno…
– Eu vou, mas vá você também e não se preocupe conosco, vamos voltar vivos e você vai nos receber com aquele sorriso bonito que você tem… – ele também tinha um sorriso bonito, sorri e torcia para que ele não percebesse que eu estava vermelha – Esse mesmo… – ele sorriu mais ainda.
– Fique bem… – disse e passei a mão em seu cabelo levemente ondulado na franja, foi a primeira vez que fiz aquilo e fiquei feliz em fazer e aliviada por saber que eu estaria olhando os dois no dia seguinte, protegendo os dois. Voltei para meu quarto.
+++
Já era de manhã e uma enorme preguiça invadiu o meu corpo. Não queria de maneira alguma me levantar da cama. Mas era preciso, aquele era um dia importante. Ainda tinha que pensar em uma maneira de entrar no caminhão sem que ninguém notasse minha presença, seria uma missão quase impossível. Vi que Antoniett não estava na cama. Olhei para os lados e me perguntei onde estava aquela francesa. Vi uma fresta de luz vinda do banheiro, provavelmente ela estava lá. Não me importava o que ela estava fazendo. Andei de um lado para o outro conferindo se minha perna já estava cicatrizada. Por Deus eu podia andar sem sentir muita dor, eu não iria morrer por causa daquilo.
De repente a porta do banheiro se abriu. Dei um passo para trás assustada com o ser que estava a minha frente. Um homem?
– O que é isso?! – perguntei para aquilo.
“Ele” não respondeu, apenas ficou da mesma maneira que eu, ou seja, assustado. Como se tivéssemos visto um fantasma.
– Pode me explicar, quem ou o que é você?! – perguntei ainda mais assustada – E o que faz no meu quarto?!
Foi quando uma voz já conhecida e um tanto feminina saiu daquela boca meio escondida por conta do enorme capacete.
– Acalme-se… – falou a pessoa tentando se aproximar de mim – Sou eu… Tenente-Coronel Belle. – disse ela tirando o capacete e deixando cair suas longas e loiras madeixas.
Aquilo foi um grande choque. O que cargas d’água ela estava fazendo vestida daquele jeito?!
– Explique-se… Agora! – quase berrei.
Belle se encolheu e foi de frente ao espelho arrumar novamente o capacete que por sinal era bem grande.
– Tenente-Coronel, eu vou para a guerra… Com você… – Belle disse e eu fiquei ainda mais surpresa.
– Como? Quem disse que eu vou para a guerra?! – falei tentando desviar de seu olhar.
– Eu já sei de tudo… – disse ela se encolhendo ainda mais – Eu… – respirou fundo, acho que estava tentando criar coragem para dizer alguma coisa, algo importante – Eu vi a carta… – ela abaixou a cabeça.
Como ela pôde? Não tínhamos um acordo?
– Sentei-me em sua cama para esperar que você saísse do banheiro… – ela novamente tentou recuperar o ar com um longo suspiro – Seu travesseiro caiu e com ele a carta. Sei que não devia mexer nas suas coisas, afinal, temos um acordo a ser cumprido. Mas algo me dizia que o conteúdo daquela carta era de extrema importância. Sinto muito…
– Por que você quer ir para a guerra também? Isso é um problema meu e você não tem nada a ver com isso! – virei o rosto querendo ignorá-la, mas senti que ela estava muito triste – Você será apenas um obstáculo no meu caminho. – disse me arrependendo amargamente pelo o que havia falado.
Quando voltei meu olhar para o de Belle vi que algumas lágrimas estavam escorrendo por aquelas tão pálidas bochechas. Senti um leve aperto no coração. Posso me fazer de durona, mas ainda tenho sentimentos, por mais que não os demonstre.
– Desculpe-me, Tenente-Coronel… – Antoniett começou a falar enxugando algumas lágrimas.
– Não… – criando coragem para dizer o que eu tinha em mente – Eu que tenho que te pedir desculpas…
– Como? – ela perguntou se certificando que eu havia dito mesmo “desculpas”.
– Você escutou e eu não irei repetir. – disse enquanto observava o jeito que ela estava vestida e, de repente pensei e vi que não era uma má ideia, afinal de contas a Tenente-Coronel Antoniett tinha cérebro e às vezes ela usava – Bom, já que você irá me acompanhar, é melhor eu me disfarçar também… – olhei em seus olhos e vi por de trás daquelas lágrimas um brilho de felicidade.
– Fico feliz que irá usar minha ideia e irá me acompanhar… – ela disse esboçando um sorriso.
– Espero que ninguém nos descubra… – disse e comecei a me arrumar.
– Tenente-Coronel Miller se me permite perguntar… Por que a senhorita pretende ir a essa guerra? – ela tentava puxar assunto enquanto me observava tentando prender meus seios com uma faixa – Quer ajuda? – ela se ofereceu para me ajudar.
– Só preciso que você dê um nó apertado aqui nessa faixa… – disse e logo ela se dirigiu para trás de mim e apertando mais a faixa deu um nó que com certeza não iria se desamarrar tão facilmente. Ela era forte.
– Desculpe insistir na pergunta, mas por que…
– Não te interessa. – disse seca, mas me arrependi novamente – Desculpe-me…
– Tudo bem… – ela disse cabisbaixa.
Depois de disfarçadas saímos discretamente de nosso dormitório e seguimos para a área onde se localizava os caminhões que levariam os soldados para a guerra. Entramos em um caminhão aleatório e torcia para que não fosse o dos rapazes. Mas como eu não tinha nenhum pingo de sorte, Jack e Harry entraram no mesmo veículo. Olhei para Belle e pude perceber que ela também estremeceu.
O caminhão começou a andar e dirigir-se para fora da minha base militar. Agora não tinha mais volta. Jack começou a puxar assunto com os soldados e eu temia que ele se dirigisse a minha pessoa ou a de Belle. Sem pensar puxei um cigarro que levava em minha farda. Percebi que Jack virou seu olhar para mim naquele momento. Tentei disfarçar olhando para o lado. Belle começou a me cutucar quase como uma súplica para que eu parasse de tragar aquela fumaça perto dela, mas eu não conseguia. Não era de fumar com frequência, apenas em momentos de extremo nervosismo e tensão, como aquele que estávamos passando.
Jack
Todos estavam tensos. Comecei a puxar assunto para descontrair. Havia dois soldados que pareceram ainda mais tensos quando comecei a falar. Quando um deles começou a fumar percebi algo de diferente e familiar. Fiquei encarando-o por mais alguns segundos até que Sparks falou próximo ao meu ouvido.
– Capitão, é impressão minha ou temos alguns intrusos nesse caminhão?
– Não Sparks, não é impressão, mas algo me diz que esses intrusos já nos conhecem e eu temo que também os conheça… – disse encarando o soldado ao lado do que fumava.
– Não entendi, Capitão… – Sparks parecia confuso.
– Espero que eu esteja errado… – disse mais para mim do que para ele e continuava olhando para aqueles dois a minha frente.
Harry
Jack parecia preocupado com aqueles intrusos, mas temia dirigir a palavra a eles. Mas eu era diferente.
– Não me lembro do senhor nos treinos, soldado. – disse ao que fumava, ele não me respondeu – Como disse que se chamava mesmo? – insisti em mais uma pergunta, mais uma vez o silêncio predominou.
Eles pareciam cada vez mais tensos, percebi que o jeito que o soldado fumava era uma tanto peculiar, diria até que era um pouco afeminado. E espera. Aquilo era batom? Cheguei a me sentir desconfortável com aquele soldado. Nada contra a opção sexual dele, mas era estranho. No fundo eu sabia que “eles” na verdade eram “elas”, mas não tinha como provar.
Belle
Seja um homem. Aja como um homem. Você é um homem, temporariamente, mas é. Eu repetia isso querendo que acontecesse algum milagre que fizesse aqueles dois pararem de me encarar. Rezava para que Sparks não se dirigisse a mim ou eu acabaria revelando tudo antes da hora, e Jenna iria me matar, antes mesmo de chegarmos ao campo de batalha. Continuava refletindo esse mantra na minha cabeça. Por sorte o caminhão parou e o medo de ser descoberta se transformou no medo de estar no campo de batalha e não conseguir sair viva de lá. Mas eu precisava ser forte por ele.
Jenna
O caminhão havia parado. De repente todos ficaram tensos. Jack e Harry pararam de me olhar e tentar puxar assunto. Os soldados começaram a descer do veículo e eu e Belle fizemos o mesmo. O medo que eu sentia era inevitável, não apenas de ser descoberta, mas de morrer e não conseguir salvar os rapazes. O comandante daquele esquadrão separou os soldados em pequenos grupos contendo cinco pessoas. Mais uma vez a sorte não estava ao meu lado. Ou será que estava?
Belle, Jack e Harry estavam no mesmo grupo que eu. E o outro indivíduo era ninguém mais ninguém menos que o nojento do soldado Chill. Isso sim que era sorte, ironicamente falando. Adentramos na mata e seguimos em direção onde estava nosso primeiro ponto de parada, a trincheira daquele lugar horrível. Com certeza estávamos muito longe de casa porque o caminhão demorou muito para nos deixar naquela região. Descemos na trincheira já com as armas carregadas.
– Carne nova! – um soldado sujo e ferido dizia no meio daquela lama.
– Cala a boca, Samuel. – outro disse indo até nossa direção – Pelo o que vejo é um esquadrão bem novo, em que divisão estavam? – ele perguntou para mim já que eu estava na frente, mas eu permanecia de cabeça baixa.
– Sétima. – Jack disse atrás de mim.
– A divisão da Tenente-Coronel? Como ela é? – ele perguntou dando passagem para nosso grupo.
– Incrível… – Jack disse e eu sorri.
– Espero ficar vivo para ser mandado para essa divisão então… – o soldado disse rindo.
– Garanto a você que aqui é melhor que os treinos dela! – Chill disse rindo e eu queria esfaquear ele naquela hora, mas Belle segurou meu braço.
– Que exagero… – o soldado falante disse – Escutem novatos, a guerra é um inferno, estamos no terreno de Lúcifer, e aquele demônio não gosta de ver a gente feliz, ouviram? – ele começou a gritar – Estão escutando esse som? Significa que tivemos uma pausa, as bombas estão longe, então se preparem para subir e encarar essa maldita guerra de cara! Peguem munição e comecem a rezar porque assim que escutarem o apito do Sargento, não terá mais volta! Fiquem vivos ou morram tentando! – ele disse e caminhou para o outro lado para repassar o recado. O medo tomava conta de mim cada vez mais.
Dar os treinos era uma coisa, mas agora era hora da prova final, era hora de eu saber se eu era realmente uma boa militar ou se era tudo fachada.
Havia uma pequena névoa e ficamos ali esperando o apito do Sargento para avançar para a “terra de ninguém”. Aquela espera era insuportável meu coração não parava de pular, porém o apito soou em meus ouvidos e vi os soldados subindo indo em direção ao combate. Belle olhou para mim e pude sentir sua tensão. Dei uma última olhada para Jack e Harry antes de subir a escada e partir para o ataque. Antoniett estava atrás de mim.
Assim que chegamos à superfície havia uns barulhos estrondosos de bombas e tiros. Via alguns soldados caindo mortos ao meu lado fazendo com que eu ficasse mais desesperada do que nunca. Senti minha respiração acelerada, mas tinha que manter a calma ou pelo menos tentar.
Meu grupo se escondia atrás de um forte misturado de corpos e sacos de areia.
Vamos Jenna, você consegue.
Levantei e comecei a atirar, mas logo voltei a me esconder, respirava fundo, não tinha mais volta, o único jeito de sair daquele lugar era morrendo ou enfrentando os inimigos.
Respirei fundo e levantei de vez, era hora do julgamento final. Comecei a atirar lembrando de todos os meus anos de treinamento.
Belle
– Nossa… – eu disse assim que vi Jenna se levantando com uma coragem que eu desejaria ter naquela hora.
Ela era com certeza a melhor militar daquela guerra. Jenna estava de pé e não demonstrava nada além da precisão em atirar, ela parecia uma Amazona guerreira da mitologia.
Era hora de dar apoio para Jenna, ela parecia ser inabalável, mas não poderíamos arriscar, me posicionei atrás do nosso “forte” e mirei nos soldados inimigos que Jenna não via. Um por um ia caindo conforme nós duas atirávamos. De repente Jenna voltou a se sentar atrás da nossa proteção, ela iria recarregar a arma. Olhei para o lado e vi Harry e Jack atirando.
– Belle, logo vamos ficar sem munição, temos que ir mais para frente! – ela disse não se importando se sua voz revelaria quem éramos ou não – Nos daremos cobertura, temos que chegar até aqueles soldados mortos e pegar as armas deles, tudo bem? – ela disse preocupada comigo, aquilo era real? Jenna estava preocupada comigo?
– Sim, Tenente-Coronel.
– O que?! – olhei para o lado rapidamente e vi Harry muito confuso.
– Se abaixe! – Jen disse para mim e voltei a me esconder.
Jenna
Atirávamos e nos escondíamos várias vezes. Falei para Belle que teríamos que avançar se não quiséssemos ficar sem munição e morrer baleadas, mas não conseguia nenhuma brecha para prosseguir, até que Belle se levantou para mirar em um soldado inimigo que estava muito próximo e o mesmo atirou em seu capacete, fazendo com que a proteção na cabeça de Belle caísse soltando seus lindos fios de cabelos loiros. O sol nascendo trouxe magicamente um brilho peculiar aos cabelos da francesa. Belle era linda e eu tinha que rever meu comportamento com ela. Parar de ser infantil, afinal, eu também estava preocupada com a vida da francesa.
Ela parecia uma modelo jogando seus cabelos para os lados na tentativa de tirá-los de sua vista.
– Merda! – Harry e Jack disseram juntos.
Quando olhei para o lado Jack, Harry e muitos outros soldados estavam parados em estado de choque foi quando eu os deixei hipnotizados com a beleza da francesa e atirei no soldado inimigo o qual estava também em choque. Mas quando peguei impulso para atirar no inimigo meu capacete também caiu e pude escutar os palavrões que saíam das bocas de Harry e de Jack. Não era hora para discussões de relações, então os ignorei e me preparei para o segundo ataque.
– O que estão fazendo parados aí?! – gritei o óbvio – Movam-se! Belle, vamos! – disse colocando meu plano em ação e Belle começou a me dar cobertura enquanto eu avançava tentando não morrer.
– Ah! – Belle gritou atrás de mim e caiu no chão segurando a perna direita.
– Belle! – ela tinha sido atingida.
Com muita raiva comecei a atirar em todos a minha frente. Mas os inimigos faziam o mesmo. Foi quando senti uma dor em meu braço esquerdo. Não tive tempo de ver o que era, tinha que continuar a batalha. Corri para o lado de Belle e a levei para trás de um pequeno “forte”.
– Você está bem?! – perguntei para a francesa.
Ela apenas assentia com a cabeça, mas via as lágrimas em seus olhos.
– E você? – ela perguntou o mesmo.
– Vamos sobreviver, está bem? – respondi tentando controlar o meu nervosismo e passar calma e esperança para ela que concordou com a cabeça.
Jack se aproximou de nós duas atirando e correndo para se esconder ao nosso lado.
– O que cargas d’água vocês duas estão fazendo aqui?! – ele estava desesperado.
– Te pergunto o mesmo, Capitão Forlan! – intensifiquei o título dele, mas ele ficou calado por um momento, apenas as bombas falavam por nós.
– Pequena, você tem que sair daqui. AGORA! – hipócrita.
– Não me faça rir! – disse gritando em meio àquele caos – Você não manda em mim Jack, só saio daqui morta ou seriamente ferida! – Levantei e continuei atirando nos inimigos que se aproximavam. Mas logo senti minha perna doendo e sangrando de novo. Caí no chão, pois por incrível que pareça o tiro atingiu o mesmo local de meu outro ferimento na perna. Ótimo, mais algumas semanas na cama caso eu não morresse naquele lugar horrível.
Minha visão começou a ficar turva por conta da dor e pude ver um vulto se aproximando e senti meu corpo rastejando até cair em algum buraco. Pronto, estavam me enterrando viva. Era só o que me faltava. Escutei uma voz conhecida falando comigo.
– Jen! – gritou a voz familiar – Aguenta firme! – caso ele não havia percebido eu estava tentando aguentar firme.
Por alguns segundos minha visão escureceu por completo, mas logo a imagem de George McMahon apareceu em minha mente. Aquele bravo homem que estava na base militar se recuperando de sua ida ao campo de batalha e que implorou para mim pedindo que eu permitisse sua volta àquele inferno. Já havia usado ele como inspiração para continuar resistente naquela guerra e daquela vez não seria diferente.
– Tenente-Coronel Miller! Acorde! Abra os olhos! – uma voz feminina gritava e só podia ser a de Antoniett.
– Vamos, Jen! – uma voz masculina gritava junto com a da francesa. Ele usava meu apelido, a voz era familiar, mas eu não sabia identificar se era Jack ou Harry gritando. Minha visão continuava turva por conta da dor.
– Não podemos dar morfina a ela? – Antoniett gritava e eu me sentia uma inútil mais uma vez. Por que eu tinha que ser tão fraca?!
– Ela é alérgica! – outra voz masculina ecoou em meus ouvidos – Pequena, por favor, aguente mais um pouco!
Dessa vez era Jack que falava comigo. Estava com ódio de mim. Ódio por eu ter sido fraca, ódio por ser alérgica à morfina. Dando um grito de raiva eu criei forças e consegui fazer com que minha visão voltasse a clarear. Pude ver Jack, Harry e Antoniett olhando para mim. Na mesma hora arranquei a faixa que segurava meus seios por debaixo de minha farda e a enrolei em minha perna, dando um nó firme e levantei rapidamente.
Belle
A dor que Jenna devia estar sentindo com certeza era mais forte que a minha, o tiro pegou na perna dela que já estava machucada, fora os tiros que reparei no braço da Tenente-Coronel.
Ela tinha desmaiado de dor por alguns segundos, mas de repente se levantou e arrancou a faixa que estava amarrada em seus seios, por debaixo da farda. Amarrou na perna com uma força absurda e ficou de pé no meio da trincheira.
– Ainda não acabamos. – ela disse pegando uma arma que estava caída naquele lugar e se dirigiu para a escada que nos levaria de volta àquele inferno.
– Próximo round então… – disse agradecendo aos céus por Jenna estar lá e por ela ser minha inspiração desde sempre. Peguei minha arma e a acompanhei não me importando se Harry ou Jack ficaram para trás procrastinando com toda aquela situação.
