Surpresa de Natal
Jenna
Já era véspera de Natal. Véspera do dia que eu mais amava no ano. Muitos soldados haviam escrito cartas para seus entes queridos desejando um bom Natal e dizendo que em breve retornariam ao lar. Dando esperanças de que a Guerra estava no fim. No fundo eu tinha quase certeza de que não demoraria muito até esse combate terminar de uma vez por todas. Só não sabia o dia exato de isso acontecer.
Como disse, estávamos na véspera do dia mais esperado do ano: Natal. Não que eu não goste do meu aniversário, mas acredito que o Natal seja uma data em que todos estão juntos, diferente do aniversário que as pessoas se tornam egoístas por aquele dia ser exclusivamente delas.
No Natal passado eu ganhei um presente de meu pai, muito especial, um par de brincos que fora de minha mãe, retribui com uma carta dizendo o quanto amava ele. Nesse Natal eu pretendia dar mais presentes a mais pessoas. No início da semana chegaram alguns caminhões com presentes para os soldados de suas famílias, eu havia pedido para meu pai que encomendasse alguns presentes para algumas pessoas que eu gostaria de presentear. Quando o caminhão chegou alguns soldados ajudaram a descarregar as muitas caixas de presentes. Não sabia se era apenas em nossa base ou se as outras também faziam aquilo, mas desde que viemos para cá, nunca deixamos de comemorar o Natal. Montávamos uma árvore simbólica e na manhã do dia vinte e cinco íamos até lá para “receber” os presentes, já que esses ficavam embaixo do enorme pinheiro.
Havia acabado de almoçar e passei pela árvore de Natal a qual eu e Harry montamos. Olhei para os presentes embaixo da mesma e me aproximei. Fiquei procurando alguns em particular e quando achei não hesitei em pegar e levar para meu quarto sem que ninguém percebesse, os escondi em meu armário de baixo de algumas roupas para que Belle não visse antes da hora, uma vez que já havíamos quebrado com nosso acordo de “não tocar nas coisas de sua colega de quarto”.
Entrei no banheiro para me trocar para os treinos da tarde.
Harry
No dia seguinte. Tinha que ser no dia seguinte. Eu estava nervoso. Muito nervoso. Não sabia como Jenna iria reagir se iria gostar ou me odiar para sempre, ainda não tinha certeza dos sentimentos dela comigo, não sabia se ela me queria como amigo ou algo mais. De uns tempos para cá ela se aproximou mais de mim, mais até do que de Jack. Capitão Forlan. Esse nome me causava outra preocupação. Será que ele estava planejando algo também? Será que Jenna amava ele, mas não apenas como amigo? Como disse, eu estava nervoso.
Tinha encomendado um presente para a Tenente-Coronel que chegou junto com os outros. No momento que começaram a descarregar o caminhão e colocar os pacotes de baixo da árvore a qual eu e Jenna havíamos montado, eu logo me apressei em achar o dela. Queria entregar pessoalmente e não que ela visse na manhã seguinte em algum canto daquele pinheiro.
Montar a árvore com Jen foi um dos momentos mais preciosos de minha vida. Jenna ama o Natal, mais até do que o próprio aniversário. Seus olhos brilhavam só de ver os enfeites sendo colocados naquele pinheiro. O Coronel havia pedido que um fotógrafo visitasse a base naqueles dias, para que registrasse a alegria que nosso regimento estava passando. Quando Jenna estava colocando a estrela no topo do pinheiro o rapaz tirou a fotografia que ficou perfeita. Jen não reparou apesar de o flash ter sido forte. Ela estava de lado, por isso não viu que a foto era dela. O fotógrafo me viu observando Jen e ficou olhando para a foto em sua mão. Ele me chamou para que eu me aproximasse e eu fui até o homem.
“- Vi o modo como o senhor olha para ela… – o fotógrafo falou – Veja, modéstia a parte, mas essa foto ficou realmente boa… – ele me entregou a fotografia.
– Qualquer foto com ela fica bonita… – disse admirando a beleza daquela foto – A Tenente-Coronel deixa qualquer foto bonita, ainda mais se ela estiver sorrindo espontaneamente como nessa aqui…
– É sua agora! – o rapaz disse e eu olhei duvidoso para ele – Pegue-a para você! Sei que vai guardar ela direito. Vamos! Pegue-a! – peguei a fotografia e guardei no bolso de minha farda.
– Obrigado! – disse sorrindo de orelha a orelha.
– Boa sorte com ela! Vocês formariam um belo casal! – dizendo isso ele se afastou e foi fotografar outros soldados.”
Voltei para ajudar Jen com a árvore. Jack não estava lá para ajudar, ele estava com Antoniett treinando no circuito com mais alguns outros soldados, mais um motivo por aquele ter sido um dia muito especial. Fiquei a manhã toda ao lado de minha amada, mesmo ela não sabendo disso.
– Harry me passe aquele enfeite ali? – ela disse em cima da escada apontando para a caixa de enfeites de Natal.
– Esse? – perguntei mostrando um.
– Não, aquele ali… – ela apontou sorrindo, mas eu não sabia qual era.
– Esse? – errei de novo.
– Espera, eu pego… – ela disse rindo e começou a descer da escada, mas no último degrau tropeçou, por sorte fui rápido e a segurei. Estávamos muito próximos um do outro, tão próximos que se eu me aproximasse mais eu a beijaria, nossas respirações estavam batendo de frente uma com a outra e Jen me olhava nos olhos – Opa… – ela disse depois de segundos eternos que estávamos daquele jeito.
– Foi por pouco… – disse me afastando mesmo não querendo.
– Sorte a minha ter você para me segurar… – ela sorriu e ficou vermelha. Aquilo foi o que pensei que fosse? – Esse aqui, Harry Sparks… – ela disse erguendo o enfeite que tanto queria.
– Se fosse uma cobra já teria me picado… – disse ainda tentando me recuperar da aproximação com Jen.
– Com certeza… – ela disse sorrindo e voltou a subir na escada para colocar o enfeite na árvore.
+++
No dia seguinte era Natal. Eu estava ansioso por aquela data. Acho que nunca fiquei tão ansioso para que aquele dia chegasse como naquele ano de 1943.
Depois do jantar não vi mais Jenna. Ela havia ido falar com o Coronel e como já estava tarde, ela se retirou para dormir logo em seguida.
Amanheceu. Eu já não tinha conseguido dormir de ansiedade. Levantei mais cedo que os outros e fui para o banheiro me vestir. Ainda eram 4h50. O café da manhã dos soldados era mais tarde, mas àquela hora Jenna estaria se levantando para o café da manhã dela. Resolvi que iria ser o primeiro a desejar Feliz Natal para a Tenente-Coronel. Com cuidado saí do quarto para não acordar os outros soldados, mas quando passei pela cama de Jack, vi que ela estava vazia. Droga, ele já havia levantado. Tinha que correr se queria ser o primeiro a dar bom dia para Jen.
Jenna
– Ei… Acorda… Pequena… – uma voz me chamava para a realidade – Chegou o dia que você tanto esperava! – Abri os olhos lentamente me maravilhando com aquela última frase dita – Feliz Natal! – Jack me olhava com um sorriso no rosto e com os olhos brilhando de alegria.
– Feliz Natal, Jack! – disse ainda sonolenta, mas já abrindo um imenso sorriso, olhei para o lado e vi que Antoniett ainda dormia.
– Feliz? Isso é maravilhoso, pequena! Acordar você e não receber um tapa ou qualquer outra coisa que seja já é maravilhoso! E isso só melhora quando você acorda sorrindo assim e me desejando Feliz Natal!
– Idiota! Faça silêncio que Belle ainda está dormindo! – disse quase sussurrando e olhando mais uma vez para a francesa.
– Vou ficar quietinho, mas antes queria ser o primeiro a ter desejar Feliz Natal… – dizendo aquilo ele beijou minha testa.
– Vou me trocar, me espere lá fora… – disse e ele saiu do quarto.
Vesti minha farda de inverno a qual era mais feminina que o normal por parecer um sobretudo com estampas de camuflagem e bem rente ao corpo, vesti uma meia-calça, coloquei meu cachecol e um gorro na cabeça, calcei minhas botas e coloquei minhas luvas, passei um batom apenas para que minha boca não cortasse com o frio, porém como só tinha batom vermelho, tive que passar aquele. Saí do banheiro e olhei para meu armário. Resolvi que só iria dar o presente de Jack depois do café.
Saí do quarto em silêncio para não acordar Belle e fui em direção a Jack no corredor.
– Nossa… – ele disse assim que me viu – Farda nova? – e riu.
– Não seja tolo… Meu pai me deu semana passada. – disse olhando para a farda – Está nevando?
– Um pouco… – Jack disse e eu abri um enorme sorriso, já amava o Natal, com neve, tudo ficava mais perfeito – Eu sei que você ama Natal com neve… – ele riu de novo.
Por alguns momentos fomos até o refeitório caminhando em silêncio um do lado do outro. Eu sentia que Jack queria me dizer alguma coisa, mas não sabia o quê. Assim que entramos no lugar pegamos nossa bandeja com o café da manhã e sentamo-nos à mesa no canto do lugar. Jack estava prestes a falar alguma coisa quando escutei uma outra voz conhecida que me fez sorrir com a frase pronunciada.
– Feliz Natal, Tenente-Coronel! – Harry disse sorridente.
– Feliz Natal, Harry! – disse empolgada, olhei para Jack e ele estava tentando disfarçar o ciúmes.
– Feliz Natal, Capitão! – Harry disse para Jack.
– Feliz Natal, Sparks… – Jack disse para Harry sorrindo, mas seu sorriso estava um pouco… Triste?
Harry se sentou conosco e tomamos o café da manhã. Belle não demorou a aparecer e chegar desejando Feliz Natal a todos com sua delicadeza e sotaque francês.
Depois do café da manhã fomos para a tenda de treinos, porque, apesar de ser Natal, nós não podíamos parar com os treinos, decidimos que iríamos treinar só no período da manhã e a tarde estaria livre para abrir os presentes que estavam debaixo da árvore de Natal.
Como estava frio os soldados estavam meio lerdos, mas em uma guerra não se pode sentir frio, pedi para que eles acelerassem, eles reclamaram mas fizeram o que eu pedi. Soou o alarme para o almoço e todos se dirigiram para o refeitório. Almoçamos e logo em seguida eu saí quase voando para meu quarto para pegar os presentes. Belle entrou no quarto logo em seguida.
– Jenna! – ela disse surpresa ao me ver lá – Espere, tenho uma coisa para você… – ela disse e foi até seu armário pegar uma caixa de presente – Pegue! Feliz Natal, Tenente-Coronel! – eu peguei a caixa e a abri.
– Belle… Não precisava… É linda! – era uma boina francesa cinza – Muito obrigada! – dei um abraço nela bem apertado.
– Por nada… Você merece! – ela disse – Use-a quando for me visitar na França! – eu assenti com a cabeça.
– Espere, Belle! – disse quando vi que ela já iria sair do quarto – Também tenho uma coisinha para você… – ela me olhou curiosa.
Peguei uma das caixas de presentes empilhadas no fundo do meu guarda-roupa e entreguei a de Belle. Ela pegou sorridente e abriu.
– Jen! Isso… Isso é muito bonito! Deve ter custado uma fortuna! Não posso aceitar… – ela dizia enquanto olhava para o colar em suas mãos.
– Não só pode como vai aceitar! Por favor, Belle, aceite!
– Jenna… Você não precisava ter gastado dinheiro comprando presente para mim… – ela disse olhando para a beleza da jóia – Esse colar é muito bonito…
– E é seu! Aceite, por favor… – insisti.
– Tudo bem, eu aceito! Fico muito grata, não sei nem o que dizer…
– Não diga! – e ri – Se me dá licença agora, eu vou entregar o dos rapazes…
– Também comprei algumas coisinhas para eles… – ela parecia tímida.
– Então vamos juntas! Eu entregarei o de Jack enquanto você entrega o de Harry e depois nós trocamos! – disse e ela concordou.
Pegamos os presentes fomos à procura dos rapazes. Belle avistou Harry e foi em direção a ele, Jack estava passando pelo corredor quando notou minha presença e se aproximou de mim.
– Tem um tempinho? – ele disse sorrindo.
– Claro! Estava indo justamente falar com você!
– Quanta honra! – ele riu – Tenho um presente para você… – ele disse ficando um tanto corado.
– Ora, mas eu também… – e ri – Você primeiro!
– Primeiro as damas… – ele queria parecer cavalheiro.
– Então… Pode começar! – e soltei uma gargalhada.
– Idiota… Vai logo, Jen!
– Tá bom! – peguei uma das caixas que estavam comigo – Feliz Natal, Capitão!
Jack pegou a caixa de minhas mãos e abriu. Quando viu o conteúdo ele riu e eu também.
– Já imaginava que seria isso! – ele disse pegando um canivete de prata que eu havia encomendado.
– Gostou? Tem mais um aí! – eu disse e ele revirou os papeis até encontrar o outro presente – Feliz Natal, Doutor… – ele riu mais uma vez quando pegou o estetoscópio – Olhe nas laterais dos objetos! – disse empolgada e ele olhou.
– Minhas iniciais! Pequena, isso deve ter custado uma fortuna! – ele disse sorrindo.
– Ah não vem você também com essa de que foi uma fortuna! Aceite o presente e fique quieto! – ele riu da minha impaciência.
– Obrigada, pequena! – ele colocou a caixa no chão e me deu um abraço apertado e reconfortante, logo em seguida me deu um beijo na testa e na bochecha – Minha vez! – ele pegou uma pequena caixinha no bolso da farda – É simples, pequeno, mas é de coração, está bem? – e me entregou a caixinha que rapidamente eu abri.
– Jack… Mas… É seu… – disse ao ver o fino colar dentro da caixinha com um pingente que podemos colocar fotos, um relicário, abri o pingente e havia uma foto minha e de Jack em cada lado do pequeno objeto – Jack, mas esse colar é seu… Você não desgrudava dele por nada…
– Agora é seu… – ele disse e pegou o colar de minhas mãos e colocou em meu pescoço – E espero que você também não desgrude dele por nada…
– Obrigada… – disse e fiquei na ponta dos pés para beijá-lo na bochecha – Prometo que não vou desgrudar desse colar por nada nesse mundo! – ele abriu um sorriso – Bom… Preciso procurar o Harry agora… – o sorriso de Jack desapareceu um pouco, mas não por completo.
– Vá… – ele disse e passou a mão em minha bochecha. Dei outro beijo na bochecha dele e fui ao encontro de Harry.
Vi que Belle já havia entregado o presente de Harry, nos cruzamos no meio do caminho, ela sorriu para mim.
– Harry aguarda ansiosamente para te ver… – Belle disse e logo foi ao encontro de Jack.
Aproximei-me de Harry.
Harry
Ela estava cada vez mais perto. Sorria seu inútil! Dei para falar comigo mesmo, era só o que me faltava.
– Olá, Harry! – ela disse animada e toda sorridente e linda com aquela farda super justa em seu corpo.
– Olá, Jen! – disse e bati continência, ela riu.
– Não precisa de formalidades hoje, soldado! – ela disse rindo – Tenho uma cois…
– Venha comigo, Jenna! – não a deixei terminar, puxei-a pelo braço e fomos caminhando em direção ao lugar que eu queria ficar a sós com ela.
– Ei! Onde estamos indo? – ela perguntou assim que peguei em seu braço, mas continuava sorrindo.
– Tenho uma surpresa para você! – parecíamos fugitivos andando daquele jeito, sorte que não havia ninguém nos observando.
Chegamos até a divisa da base militar com a floresta.
– Não me diga que vamos até onde estou pensando que vamos… – ela disse e me deixou confuso com aquela frase.
– Onde você está pensando que vamos? – parei e olhei-a nos olhos para perguntar, ela ainda sorria. Isso era um bom sinal, eu acho. Retribui o sorriso.
– Nada… – ela disse balançando a cabeça – Quero ver se vamos mesmo para o lugar que está em minha mente, prossiga seu caminho, Harry! – passei pela cerca e a ajudei a passar também.
– Bom… Sua surpresa está lá em cima! – tínhamos chegado até a árvore mais alta que no verão tinha mais folhas do que todas as outras, mas no inverno deixava meio exposta a casa na árvore de Jen.
– Então vamos subir! – ela disse animada, mas logo parou de frente para a corda.
– O que houve? – perguntei.
– Dois problemas. Um que eu tenho que subir depois porque estou de “vestido”… – ela fez aspas com a mão e riu – Segundo que… Você consegue subir com essa caixa, Harry? – foi aí que eu percebi que ela estava com uma caixa nas mãos.
– Claro! – disse e ela me entregou a caixa, coloquei dentro da jaqueta da farda e fechei com os botões e comecei a subir a corda até a visível casa na árvore de Jenna.
Assim que subi, balancei a corda para que Jen subisse e mais que depressa ela apareceu na frente da pequena casa de madeira.
– Uau! – ela exclamou – Nunca tinha vindo aqui no inverno! Ela fica linda com neve! – entreguei de volta a caixa para ela – Não… É sua… Feliz Natal, Harry! – ela sorria.
– Jen… Não precisava… – comecei a dizer e ela revirou os olhos.
– Dá para abrir logo? – ela disse impaciente e eu ri.
– Vamos entrar primeiro e depois eu abro. – disse e abri a pequena porta daquela construção de madeira – Feliz Natal!
– Harry! – ela estava sem reação com a decoração no interior da casa.
Eu havia decorado tudo com enfeites de Natal, arrumado a bagunça e montado no chão um piquenique para nós dois.
– Gostou? – perguntei receoso.
Ela nada falava, apenas permanecia com a boca aberta e os olhos brilhando. Eu estava ansioso para saber o que ela havia achado da primeira surpresa. Ela olhou para mim sorrindo.
– Não acredito que você fez isso para mim… – ela disse e pulou em meus braços me dando um abraço – Obrigada! Nossa, estou até com vergonha de te dar o seu presente…
– Por quê? – eu perguntei ainda a abraçando, ela se afastou do abraço.
– Isso é muito legal… Eu adorei a decoração e esse piquenique! Você planejou tudo isso e eu só peguei umas coisinhas com meu pai…
– Ah sim, meu presente! – disse e abri a caixa ficando surpreso – Jenna… O que é isso?
– Parabéns e Feliz Natal, Capitão… – ela disse e pegou os broches na caixa – Agora você é um Oficial Intermediário! – ela colocou alguns broches em minha farda.
– Mas… Jen…
– Você merece… E nem venha com essa história de que não pode aceitar que nem o Jack falou! Se eu souber que você foi para a guerra de novo…
– Não vou! – disse assim que percebi que ela possivelmente iria chorar se lembrasse daquele terror o qual passamos meses atrás – Obrigado, Tenente-Coronel! De verdade… – a abracei – Bom… Vamos comer?
– Acabamos de almoçar! – ela disse rindo.
– Depois do almoço…Vem a sobremesa! – sentei-me no chão e abri a cesta de piquenique e tirei de lá alguns doces que eu sabia que Jenna adorava.
– Bom… Já que é assim… – ela sentou-se ao meu lado e foi logo atacar uma caixa de bombons suíços e riu – Obrigada, Harry!
Ótimo. Ela havia pegado a caixa que continha a segunda surpresa. Assim que abriu ela ficou mais uma vez sem reação.
– Harry… Essa caixa está com um probleminha… Tem uma pulseira no lugar dos bombons… – ela disse séria, mas eu sabia que ela estava feliz por dentro.
– Ah meu Deus! Devem ter trocado as caixas! – disse fingindo surpresa e ela riu mais ainda – Feliz Natal de novo, Jen… – peguei a pulseira de ouro que havia comprado e coloquei em seu braço – E não quero aceitar um “não precisava, eu não mereço” como resposta…
– Mas um “obrigada” serve? – ela perguntou olhando nos meus olhos e sorrindo.
– Claro que serve… – disse sorrindo e ela me olhava nos olhos com ternura.
– Então… Obrigada, Capitão…
– Vai demorar até eu me acostumar com esse novo título…
Ficamos nos olhando por mais alguns instantes em silêncio. Fui me aproximando dela, estava muito próximo, podia sentir sua respiração ficando mais acelerada, mas ela não recuava, apenas continuava ali na minha frente, parada me observando, esperando o que eu tinha para fazer. Não hesitei de novo e selei nossos lábios em um beijo sereno.
Jenna
Ele se afastou de mim.
– Desculpe-me… – ele estava corado, sem jeito e estava levantando para ir embora quando o puxei pelo braço.
– Desculpar pelo o quê? – disse o puxando de volta para meu lado.
– Eu… Não devia ter feito isso… Agi por impulso… – não o deixei terminar e o beijei.
– Sendo assim… – disse depois do beijo – Estamos quites…
