Ano novo, vida nova, mesma guerra, decisão
Jenna
Contei tudo a Harry sobre minha conversa com Jack, contei a Belle também. E contava tudo a Jack a respeito de qualquer coisa que fosse. Contei para meu pai também que estava namorando Harry.
– Pai… – disse entrando no quartel general.
– Oi filha… – ele disse olhando para mim sentado na cadeira cheio de papeladas ao seu redor.
– Como o senhor e a mamãe se apaixonaram? – ele me olhou confuso.
– Sua mãe era uma bailarina e eu tinha o costume de ir a espetáculos de dança, de ópera… – ele começou a falar – Um dia, fui a um espetáculo que sua mãe apresentaria e quando ela entrou no palco… – ele suspirou – Sua mãe tinha um noivo na época, um rapaz que cantava ópera nos espetáculos… – me sentei na cadeira de frente para a mesa dele e ouvi a história como uma criança. Nunca tinha escutado aquela história antes e era o momento perfeito para finalmente escutar – Eu tinha tanta inveja daquele rapaz…
– Como vocês ficaram juntos então? – perguntei curiosa.
– Eu já estava no exército na época, construindo carreira, mas ia às escondidas para os espetáculos de dança de sua mãe…
– Por que às escondidas?
– Ora, não era comum um militar naquela época fazer esses passeios… – ele riu – Um dia, fui ao camarim dela entregar um buquê de flores. Ela nem sabia da minha existência. Catherine agradeceu as flores e eu tinha que dar um jeito de ter ela para mim… Então todos os dias eu mandava flores ou bombons para ela, tendo espetáculo ou não até que um dia o noivo de sua mãe descobriu e quis me dar uma surra…
– E ele te bateu? – perguntei curiosa e preocupada.
– Ele era um cantor de ópera, minha filha… Eu já era um Sargento… – ele riu.
– Coitado do rapaz… – ri junto com ele.
– Sua mãe viu a cena e ficou assustada, logo depois foi conversar comigo, disse que eu tinha que parar de fazer aquilo, que ela era noiva… Então eu parei.
– Então como vocês ficaram juntos? – que história sem sentido!
– Eu parei de mandar coisas para ela, mas ia às escondidas aos espetáculos, até que um dia vi sua mãe chorando num beco perto de onde ela tinha feito sua apresentação de dança, fui conversar com ela e ela se abriu comigo. Disse que terminou o noivado porque seu noivo estava traindo ela. Catherine estava desolada e eu não sabia o que fazer… Nos dias que se seguiram, nos meses que se seguiram eu passei a me encontrar com ela todos os dias depois de trabalhar na base militar, nos tornamos muito amigos, até que um dia estávamos conversando embaixo da árvore que construí sua casa na árvore e eu a beijei… – meu pai ficou vermelho de vergonha, era algo novo ver aquele lado dele. Eu não conseguia parar de sorrir – Começamos a namorar, noivamos, casamos e então tivemos você… A nossa maior preciosidade… – ele disse e se levantou para ir até meu lado – Mas sua mãe teve que ir antes da hora… – o sorriso saiu de nossos rostos.
– Eu sinto falta dela, mas não me lembro de mamãe muito bem… – disse abaixando a cabeça.
– Você é a cópia perfeita da sua mãe, minha filha, vocês duas são muito parecidas fisicamente… – ele acariciou meu cabelo – Mas quero levar os parabéns por você ser essa mulher de personalidade, afinal, quer melhor militar que eu para ter uma filha tão boa nessa profissão? – ele riu e eu o acompanhei.
– Não me vejo sendo como a mamãe… Digo, não me vejo sendo algo diferente de uma militar…
– Você tem que ser o que te faz feliz, o que te faz ficar bem… Mas me diga, por que dessa conversa? – ele sorriu.
– Se um dia eu encontrar alguém, me apaixonar e essas coisas… Como o senhor reagiria? – perguntei com receio.
– Não estou entendendo, filha… – ele estava sim.
– Digamos que eu esteja namorando…
– Quem é ele? – ele estava muito sério.
– Não, papai… Vamos supor… – ele já sabia.
– Bom, caso um dia você encontre algum rapaz que te faça feliz, eu espero que ele continue te amando e te fazendo feliz até o final da vida, do contrário eu tenho pena dele… Afinal… Minha filha é a Tenente-Coronel Jenna Miller Foster… – ele riu, mas logo ficou um pouco sério – Esse rapaz… Ele está na base, não é? – olhei para baixo – Eu não vou fazer nada filha, só quero te ver feliz… Vai me contar quem é o felizardo? – olhei novamente para ele e seu sorriso era sincero e cheio de ternura.
– Sparks… – disse com receio.
– Sparks? – ele ficou confuso – Nossa… Então está bem… – ele ainda parecia confuso – Gostaria de falar com ele sobre essa situação depois…
– Vou chamá-lo… – disse sorrindo e fui chamar Harry que me esperava no corredor.
– Tem certeza que ele aceitou tranquilamente? – Harry dizia nervoso enquanto caminhávamos até o quartel general.
– Vá lá e descubra por si só… – disse empurrando ele porta adentro e fiquei no corredor esperando.
Harry disse que a conversa com meu pai foi boa e ele aceitou nosso namoro tranquilamente, mesmo assim Harry tinha medo, não fazia ideia do que os dois tinham conversado, mas o importante era que eu e Harry tínhamos a benção de meu pai.
Ainda assim eu e Harry nos encontrávamos escondidos, afinal, só três pessoas sabiam do nosso romance. Quatro com o tal do fotógrafo.
+++
Estávamos no ano de 1944. Não sabia como, mas eu sentia que aquele ano seria decisivo para aquela maldita guerra. O tempo passou rápido depois da virada de ano. Harry e eu estávamos mais juntos do que nunca, ele me completava, ele era meu melhor amigo, ele me fazia feliz como nunca e eu sentia que ele também estava feliz comigo. Jack continuava com um pouco de ciúmes, eu me sentia mal, mas ele falava comigo dizendo que estava tudo bem, que me ver feliz já bastava para ele. Belle era uma amiga para qualquer hora, às vezes ficávamos de madrugada conversando sobre tantas coisas, sobre nossas vidas, sobre a guerra até que chegava o dia seguinte nos treinos e estávamos mortas.
Abril de 1944. Muitos soldados partiam para o campo de batalha. Quase nenhum voltava. A Guerra estava passando por um momento apavorante. Meu pai me chamou em seu quartel general junto com Belle, Jack e Harry.
– Tenentes-Coronéis, Capitães… – ele disse assim que entramos e batemos continência – Acredito que já saibam o porquê de eu chamá-los aqui. – ninguém respondeu, todos estavam tensos – Os Aliados estão planejando uma emboscada para acabarmos de uma vez com Hitler e os Nazifascistas. Nada poderá falhar. Um pequeno erro pode decidir a guerra a favor dos inimigos.
– Iremos treinar os soldados muito bem, Coronel. – Jack disse confiante.
– Sei disso… – seu olhar estava um tanto triste – O que estamos planejando será colocado em prática em dois meses… – ele respirou fundo – Perdemos muitos soldados nessa guerra… Iremos precisar de toda a ajuda possível se quisermos vencer…
– Não estou entendendo, Coronel… – Harry disse e olhou para mim.
– Podem nos dar licença por um minuto? – perguntei aos Capitães e a Belle – Preciso conversar a sós com o Coronel…
– Claro. – eles disseram juntos e saíram da sala.
– Pai… – ele evitava olhar em meus olhos, pois sabia que se fizesse isso iria chorar – Pai, olha pra mim…
– Você sabe que eu jamais iria querer que você voltasse àquele inferno, não é? – ele disse olhando em meus olhos e pude ver algumas lágrimas se formando neles.
– Eu sei, pai…
– Eu também vou, filha… Os Aliados precisam de todos os militares… Será como um último grande feito em minha vida…
– Não diga isso… – eu já estava chorando – Vamos voltar juntos! Esqueceu que o senhor ainda tem que me levar até o altar?
– Sparks… – ele disse – Quem diria, não é? Sempre achei que você acabaria casando com Jack… – ele também chorava – Mas Sparks é um ótimo rapaz, chame-o lá fora querida, tenho que dizer uma coisinha para ele. – assenti com a cabeça enxuguei as lágrimas e fui chamar Harry.
Ele entrou na sala apreensivo.
– Mandou chamar, Coronel? – ele disse receoso.
– Harry Sparks… Pretende se casar com minha filha? – Harry foi pego de surpresa assim como eu.
– O que? – Harry estava confuso e eu dei uma risadinha.
– Pretende ou não? Não estou te forçando a nada só quero saber se você pretende ter um futuro com minha preciosidade…
– Se ela me aceitar ao seu lado pelo resto da vida… Claro que eu pretendo casar com ela… – Harry disse me olhando com ternura.
– Ótimo. Nunca a abandone me ouviu, rapaz? – meu pai disse – Nunca a decepcione. Ela está sempre certa mesmo estando errada, me escutou?
– Espera um pouco… – eu disse – Isso é um pedido de casamento? – disse rindo e os dois se entreolharam.
– Pode ser que sim… – Harry disse – Já que o sogro permitiu… – ele riu – Resta saber se você quer ser minha até que a morte nos separe…
– Te aguentar até a morte? A vida toda? – fiz uma cara pensativa – Não sei mais o que é viver sem você, Capitão… – ele se aproximou.
– Sogro… Se me permite, gostaria de beijar sua filha agora, tenho essa permissão, Coronel? – Harry disse e eu ri mais ainda.
– Cinco segundos e nada mais. – meu pai permitiu e Harry mais do que depressa me beijou apaixonadamente. – Muito bem! Chega! – Harry ainda me beijava – Sparks! – mordendo meu lábio inferior Harry cessou o beijo.
– Prontinho! – Harry disse rindo.
– Filha… Acho que você é a melhor pessoa para contar isso aos Capitães e à Tenente-Coronel…
– Pode deixar, Coronel… Eu me encarrego disso. – fui até a porta e chamei Belle e Jack, eles entraram.
– Contar que vamos nos casar? – Harry perguntou.
– Casar? – Belle disse empolgada e Jack ficou vermelho.
– Não, Harry… Nós vamos voltar para a guerra…
– O que?! – ele parecia espantado – Tudo bem, eu posso voltar, mas permitir que você volte… Jamais.
– Harry, não é hora para isso. Os Aliados precisam de todos os militares nesse momento… – disse respirando fundo.
– Eu também vou, Sparks. – meu pai disse.
– Está tudo planejado para o dia cinco de junho, atacaremos a Normandia de madrugada. – olhei para Belle que mudou a expressão de alegria de seu rosto – Estamos enviando falsas informações a um agente duplo que está na Alemanha, falando que iremos atacar em outra região mais ao norte, os nazistas estão acreditando, por isso, nessa altura da guerra, qualquer erro pode ser fatal para toda uma nação. – eu disse.
– Precisaremos de paraquedistas, soldados para atacar por terra e pelo mar, em todos os cantos daquela região Francesa… – meu pai completou.
– Ma bien-aimée France… – Belle disse em francês e eu deduzi que fosse algo como “minha amada França”.
– Belle… – eu comecei a falar.
– Tudo bem, Tenente-Coronel! Vamos expulsar os inimigos da minha França! – ela parecia empolgada, mas seu olhar era um tanto triste.
– Muito bem! – meu pai disse – Os treinos intensivos começam agora.
Dizendo aquilo todos nós nos retiramos do quartel general. Cada um de nós ficaria encarregado de alguma tarefa em específico. Belle iria treinar os soldados que atacariam pelo mar, Harry os que atacariam por terra, Jack e eu ficamos encarregados de treinar os paraquedistas. O ataque seria de noite por isso mudamos todos os turnos de treino. Tudo estaria escuro, então nossos treinos seriam naquele horário, além dos exercícios básicos, treinaríamos como atacar silenciosamente.
E assim começaram os treinos intensivos. Harry e eu não podíamos mais nos dar ao luxo de nos encontrarmos às escondidas todos os dias, por isso só nos víamos nas horas das refeições. Eu passava a maior parte do tempo com Jack, o que deixou ele muito feliz.
Maio chegou e os treinos só se intensificaram. Eu já não me aguentava mais de saudades do meu namorado, agora noivo, de ficar com ele, de poder abraçá-lo, de poder beijá-lo. Jack percebia aquilo.
– Vai. – Jack me disse no meio de um treinamento.
– O que? – perguntei.
– Vai logo ver o Harry… Aproveita que ele deu uma pausa agora.
– Mas, Jack…
– Vai! Mas não demore. Dez minutos e volte para cá… – Jack disse e eu não me contive de felicidade, dei um beijo em sua bochecha e saí disfarçadamente até onde Harry estava conversando com um soldado. Aproximei-me dele.
– Capitão, precisamos conversar. – disse autoritária, mas estava rindo por dentro. Comecei a caminhar na frente e Harry me seguiu até a parte de trás da tenda de armamentos.
Não tive tempo nem de me preparar direito e Harry já me envolveu em seus braços e em um beijo apaixonado e cheio de saudades.
– Que saudades que eu estava de fazer isso… – ele dizia enquanto distribuía beijos em meu pescoço.
– Não temos muito tempo… – eu disse o beijando na boca novamente.
Harry foi sempre muito respeitador. Em um de nossos encontros ele tentou fazer algo diferente, mas eu não permiti, não estava pronta, e tinha medo. Eu já sabia que ele já tinha dormido com outras mulheres antes de mim, mas eu queria esperar o momento certo, nos últimos meses eu sentia que estava pronta para ele, mas como não tínhamos tempo mais nem para nossos beijos, esse momento iria ter que esperar.
– Eu não aguento mais ter que ficar longe de você e ainda agir como se não fôssemos nada mais do que colegas de trabalho, nas refeições… – ele disse acariciando meus cabelos.
– Eu também… – o beijei – A guerra está para acabar… Em breve teremos todo o tempo do mundo!
– Mas e se mo… – não permitir que ele terminasse a frase e o beijei contendo a vontade de chorar – Poderíamos nos casar logo depois desse ataque…
– Logo depois? – disse sorrindo e entrelaçando meus braços em seu pescoço.
– No minuto seguinte! – ele disse e jogou a cabeça para trás rindo – Eu já tenho a roupa… – ele me olhou misterioso.
– Ah é? – perguntei curiosa.
– Já… Desde o dia que aceitou ser minha namorada…
– E se eu não tivesse aceitado?
– Eu sabia que não resistiria aos meus encantos… – o beijei – É uma farda branca, como pede o protocolo…
– Shh! – coloquei a mão na boca dele – Eu não quero saber, Capitão Sparks! Tem que ser surpresa! – ele sorriu.
– Mas vai ser… Você não sabe como é a farda, só vai saber no dia! – ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – Eu te amo…
– Eu também te amo… – o abracei mais forte, o medo de perde-lo tinha se agarrado em mim naquele momento, mas logo fiz aquela sensação passar – Tenho que voltar aos treinos… – eu não queria voltar aos treinos.
– Vai lá… – ele me beijou de novo e tive que juntar todas as forças para ir embora do abraço dele.
+++
31 de Maio de 1944. Em menos de uma semana a Operação Overlod seria colocada em prática. Os treinos eram cada vez mais intensos, todos estavam tensos para dia cinco de Junho. Aquele seria o dia perfeito para o ataque. As condições meteorológicas seriam ideais para garantir o sucesso da operação.
Para que os aviões com os paraquedistas cruzassem o canal da Mancha sem serem notados pelos alemães, a lua tinha de surgir o mais tarde possível, deixando a noite mais escura. Também era importante que a maré estivesse baixa, para que os soldados aliados conseguissem enxergar os obstáculos instalados pelos alemães perto das praias. E, mais do que isso, era preciso que, no mesmo dia, a maré baixasse uma segunda vez, para permitir a chegada de reforços.
Pelas previsões, o dia 5 atendia a todos os requisitos. Todos estavam ansiosos. Meu pai recebeu ordens do General Dwight Eisenhower, comandante da Força Extraordinária Aliada, determinando o início da movimentação da tropa da Inglaterra.
Quatro de Junho de 1944. O tempo virou. Chuva torrencial, vento forte e mar agitado. Nada poderia ser pior para a travessia do canal e desembarque nas praias francesas. A ofensiva teve que ser suspensa. Isso preocupou os estrategistas aliados, já que talvez só um mês depois as condições climáticas favoráveis iriam se repetir. E até lá, os alemães poderiam descobrir informações sobre o ataque.
21h30. Quatro de Junho de 1944. Um novo boletim meteorológico chegou às mãos de Eisenhower e seu Estado Maior: a tempestade daria uma trégua e, apesar da nebulosidade, haveria 36 horas sem chuva forte entre os dias 5 e 6. Era uma decisão difícil. Caso fosse dada a ordem para o ataque, o abastecimento às primeiras tropas seria debaixo de chuva nos dias seguintes. De manhã, o general voltou a consultar seus subordinados e, após alguns minutos recebemos a mensagem pelo código: “Muito bem. Vamos.” Em 30 segundos o refeitório estava vazio e todos corriam para avisar que a operação iria começar à meia-noite.
A correria era grande na nossa base militar. Uma semana antes já tínhamos decidido que Belle e Harry também iram comigo e Jack no avião para atacarmos de paraquedas. A ordem de ataque fora dada e só tínhamos tempo de nos arrumar e partir para os caminhões que nos levariam até os aviões. Meu pai seria o comandante que atacaria por terra. Fui para o quartel general para me despedir.
– Pai… – entrei no local, meu pai andava de um lado para o outro nervoso.
– Filha! – ele abriu um imenso, porém triste, sorriso a me ver – Estava mesmo querendo falar com você…
– Pai… Vim avisar que em breve estarei partindo… – eu estava tentando segurar minhas lágrimas.
– Sei disso… Quero que você vá para essa guerra e mate todos aqueles nazistas que nem você fez na padaria… Mostre a eles que eles brincaram com a mulher errada… – eu já estava chorando e meu pai formava lágrimas nos olhos – E depois que isso acabar… Volte pra casa, com seu noivo de preferência, não deixe que ele morra, se ele está achando que morrendo ele vai se livrar de você ele está enganado. – ele começou a chorar e eu solucei com uma risada – Sério agora, filha. Você foi a coisa mais importante que já aconteceu na minha vida. Queria que sua mãe estivesse viva para ver a grande e determinada mulher que você se tornou. Tenho certeza que ela está olhando por você agora e irá te proteger…
– Pai… – eu não conseguia falar, Harry entrou na sala.
– Sparks… – meu pai disse – Cuide da minha princesa, ok? Fique vivo e cuide dela!
– Falando assim, até parece que o senhor não irá mais voltar… – eu disse aos prantos.
– Vou fazer o possível para voltar, afinal, tenho que te levar ao altar… Mas caso eu não volte… Quero que saiba que eu sempre vou te amar independentemente de onde eu esteja, quero que você seja feliz, que me dê muitos netos com esse rapaz aqui… – olhei para Harry que continha a vontade de chorar e deu um leve sorriso.
– Eu também te amo, papai… – disse e o abracei com força – Fique vivo, tá bom?
– Farei o possível! – ele disse e me afastei, Harry se aproximou.
– Coronel. – eles trocaram um abraço.
– Só um lembrete para você, Sparks… Se você morrer, minha filha irá te ressuscitar só para ter o prazer de te matar novamente, me ouviu?
– Não irei morrer, Coronel! É uma promessa! – escutando essas três palavras finais me deu um aperto no coração.
Corri para dar um último abraço em meu pai e saí de mãos dadas com Harry. Àquela altura do campeonato, esconder que estávamos juntos era idiotice, caminhamos até o caminhão. Belle, Jack e outros soldados já estavam nele. Estava começando a escurecer. O caminhão nos levou até onde os aviões estavam posicionados. Colocamos os paraquedas e os capacetes e entramos no avião um por um. Em breve estaríamos sobrevoando os céus da Normandia. Agora não tinha mais volta.
