Parte 1

Era meados de junho e por mais que a estação fosse o verão, à noite a temperatura caía um pouco na Europa. Colônia (Köln) era uma das cidades mais antigas da Alemanha, fundada por romanos, sua idade é revelada e refletida nas ruas, com estruturas góticas, romanas e também as mais modernas e atuais, todas coexistindo em harmonia e era esse último quesito que muitos turistas procuravam ao passar por lá.

As luzes eram acesas aos poucos conforme o sol se punha cada vez mais na paisagem, a vida noturna em Colônia era tão agitada quanto em qualquer capital mais populosa. Turistas que descobriam aquele pedacinho da Alemanha saíam de seus hostels e hotéis para passeios noturnos nas ruas repletas de histórias. Os bares começavam seus expedientes, assim como as casas noturnas e no centro da cidade havia uma peculiaridade escondida.

Era como um grande bunker, as cicatrizes de guerras estavam sempre presentes na arquitetura da cidade, principalmente das alemãs. O bunker não era amedrontador, pelo contrário, era acolhedor e para quem o encontrasse teria uma noite aquecida com bebidas, danças e comida de qualidade. Seu interior era amadeirado, o que já mudava completamente a estrutura formal de uma cápsula para abrigar vítimas de bombardeios aéreos, a iluminação era feita por luzes de led em tons de amarelo para que o ambiente fosse mais convidativo ainda. Remetendo a bares de velho-oeste americanos as mesas também eram de madeira, assim como as cadeiras. Alguns bancos eram mais inusitados, sendo feitos de barris e tonéis de vinho. O rústico estava por todos os lados e aquela peça rara no centro mais contemporâneo de Colônia era conhecida só pelos mais aventureiros na vida noturna e de becos, a princípio, medonhos.

Uma mulher estava do lado de fora do bar escondido, subia as escadas que davam para a superfície asfaltada do final da rua sem saída e levava com ela sacolas pretas de lixo para depositá-las em um lugar mais apropriado. As sacolas pareciam pesadas e de fato estavam, a noite anterior rendeu muita diversão para todos e muitos lucros para a dona do bar que mesmo tendo menos clientes do que se imaginava, vendia muito bem, o importante era a qualidade e não a quantidade, ela atendia à demanda com muita profissionalidade e sabedoria.

Dennis estava apenas andando sem rumo aparente pelas ruas de Colônia, já tinha estado lá poucas vezes quando criança, e agora retornava para aquele lugar já adulto e a trabalho, não passaria muito tempo na cidade, mas o suficiente para que as gravações do novo filme que ele protagonizava fossem finalizadas. Como o novo nome do momento na Alemanha, Dennis já tinha sentido um pouco da fama em sua cidade natal e em muitas outras nos arredores, Colônia mostraria um pouco dos dois mundos: o reconhecimento e o anonimato.

Todas as luzes da cidade já estavam acesas e o sol era só um filete laranja no horizonte do céu que estava cada vez mais escuro, a temperatura tinha caído um pouco, para os residentes de cidades como aquelas, alguns graus a menos não tiravam a diversão de uma boa noite, para os menos acostumados, uma blusinha mais fina era sempre bem-vinda para passeios ao ar livre.

A mulher já tinha deixado as sacolas pretas na caçamba de lixo e descia mais uma vez as escadas para o subsolo. Dennis passava pela rua sem saída no momento que viu a mulher ser engolida pelo chão. Curioso e preocupado em ver uma silhueta e cabeça desaparecerem do nada, ele caminhou mais para dentro da rua já iluminada, mas a mulher já tinha sumido no asfalto. Momentos depois uma luz neon foi acesa no poste ao lado do local que a mulher desapareceu. Em alemão ele podia identificar pelo letreiro que piscava vagarosamente que o lugar era um bar. Sem perceber ele riu sozinho no meio da rua vazia, claro que seria algum lugar, a mulher não desapareceria de repente engolida pelo chão, ela não era uma das Três Espiãs Demais, o seriado em desenho dos Estados Unidos.

Olhando em seu celular ele imaginou que o movimento começaria mais tarde, mas estava curioso demais para ver como era aquele lugar e que tipo de bar era aquele, então esperou mais uns minutos na rua e finalmente se dirigiu até a escada que dava para o subsolo. Desceu devagar, no final dos degraus ele via um pequeno corredor e no final dele uma porta de madeira maciça estava aberta à espera de clientes. Ainda do lado de fora ele podia escutar alguém falando em um microfone, era uma voz de mulher e ela falava em inglês, Dennis logo notou que ela fazia passagem de som para um possível show que talvez fosse ter ali. Ele hesitou mais um pouco e resolveu só escutar antes de entrar.

— Acha mesmo que seria uma boa? Porque meu gosto musical é bem diversificado, mas não sei se combinaria com o bar… – a mulher que Dennis escutava tinha parado de testar o som e falava longe do microfone em inglês.

— Bom, eu vou ter que te mostrar pela milésima vez o rendimento do bar depois que você chegou, pelo jeito… – outra mulher falou. Dennis não conseguia ver ninguém de onde estava, mas escutava muito bem a conversa, a segunda mulher tinha um inglês com mais sotaque alemão do que a primeira – Desde que chegou o bar só lucrou e não estou falando isso porque somos capitalistas e queremos sempre ter mais lucro, claro que lucros sempre são bem-vindos, mas as pessoas estão conhecendo mais o bar e isso foi depois do seu primeiro show, foi uma ideia genial, Gen!

— Mas até então as músicas eram as que envolviam a todos, como numa festa e o DJ tem que agradar todas as tribos, o que você quer que eu faça é pegar uma playlist específica que eu – Dennis percebeu quando a tal de Gen enfatizou o “eu” – gosto e cantar para tipos diferentes de pessoas, na maioria jovens.

— Você fala como se fosse tão idosa… – a outra mulher falou.

— Não sou, Lisa, mas meu gosto musical é muito idoso… – Gen respondeu rindo.

— Tem meu aval e minha ansiedade, por favor, se apresse que eu já acendi as luzes, já já teremos clientes! – Lisa falou rindo e Gen voltou a passar o som falando ao microfone.

— Bom, acho que é bom ir começando aos poucos, e ver como eles vão lidando com essa mudança de ritmos, caso a gente perceba que está dando tudo errado voltamos pra outra playlist, ok? – Dennis se aproximou mais da entrada e viu ao fundo do bunker amadeirado um pequeno palco onde estava uma mulher falando com mais três rapazes.

— Olá! – Lisa avistou Dennis quase completamente dentro do bar e foi logo iniciar seu trabalho – Bem-vindo ao Holzbunker! – Lisa falava em alemão com Dennis que se assustou ao vê-la, mas logo sorriu.

— Um ótimo nome… – ele disse apontando para o interior do bunker.

— Bom, hoje em dia falamos que é propício, mas na verdade é muita falta de criatividade… – Lisa riu – Por favor, fique à vontade! Pelo jeito é cliente novo, nosso maior movimento é mais tarde, mas é óbvio que você pode e deve ficar à vontade!

— Obrigado… – Dennis disse sem jeito e olhava para o palco. A mulher ainda falava com os rapazes e eles conversavam em inglês – Acho que vou ficar aqui atrás, pra não atrapalhar… – ele se sentou a mesa mais afastada do lugar.

— Posso te trazer alguma coisa? – Lisa disse pegando rapidamente o cardápio e deixando na mesa de Dennis.

— Bom… Acho que cheguei bem cedo, né? Mas uma cerveja seria ótimo…

— É pra já! Posso te oferecer a da nossa produção artesanal? Primeira caneca por conta da casa para novos clientes!

— Nossa, que legal! Nesse caso vou aceitar sim! – Dennis viu Lisa indo para trás do balcão também revestido de madeira na lateral do bunker e voltou sua atenção para o palco.

— Eu ainda estou apreensiva… – a mulher falava em inglês, fora do microfone, mas Dennis conseguia escutá-la muito bem pelo fato do bar estar vazio. Gen virou para a plateia vazia e avistou Dennis ao fundo – Já sei! – ela abriu um largo sorriso, Dennis arregalou os olhos e a viu se aproximando – Oi! – ela o cumprimentou em inglês.

— Oi… – ele disse se esforçando para não deixar tanto sotaque em seu inglês.

— Me tira uma dúvida, já ouviu falar do Elton John?

— Mas é claro! – Dennis olhava para a mulher a sua frente, ela não tinha nem um traço que mostrava que era uma alemã, o fato de falar em inglês com ele só comprovava mais sua mais recente teoria de onde aquela mulher teria vindo.

— E você gosta dele?

— Bom, eu não tenho costume de ouvir as músicas dele, mas as poucas que conheço eu gosto sim…

— Viu? Agora respira fundo e vá fazer seu serviço! – Lisa apareceu ao lado de Gen com uma grande caneca com cerveja gelada.

— Se não lucrar hoje é culpa sua, nada de me culpar! – Gen disse se virando para voltar ao palco, seus longos cachos castanhos com as pontas verdes balançavam conforme ela andava pelo salão.

— Então tem música ao vivo aqui? – Dennis perguntou para Lisa assim que Gen subiu no palco.

— Não e essa é a melhor parte! – Lisa voltou a falar em alemão com Dennis e sorria, o rapaz parecia confuso – Não tínhamos música ao vivo aqui até pouco tempo, era só mais um bar que a única atração era ser um bunker de madeira e nossa cerveja, tocávamos músicas pelo famoso Spotify… – ela revirou os olhos – O palco ali sempre existiu, meu pai falava que em outras épocas tinha sim música ao vivo aqui, mas com o tempo isso foi sendo substituído pelos aplicativos, até que a Gen chegou! – Lisa apontou para a mulher no palco afinando um violão.

— Eu vou começar devagar, não sei se nosso cliente está acostumado com tanta música velha de uma vez só, então vou com calma… – Gen falava no microfone e olhava para Lisa e Dennis no fundo do lugar – Não tenha medo, senhor cliente… – o inglês dela também tinha sotaque, Dennis notava cada vez mais – Pode vir aqui pra frente se quiser, eu não vou quebrar nenhum instrumento na sua cabeça… – ela riu.

— Ela diz isso sóbria… – Lisa falou baixo e em alemão para Dennis – Mas não tenha medo, ela não bebe no expediente, pode ir pra frente se quiser!

— Bom, acho que não vou fazer essa desfeita pra vocês… – Dennis pegou o cardápio e a caneca de cerveja e se sentou em uma mesa mais próxima do palco.

— Essa você deve conhecer na versão dos Beatles, mas Elton John também gravou… – Gen falava no microfone e depois de afinar o violão ela o deixou de pé no suporte ao lado do banco em que estava sentada. Olhando para os outros músicos ela deu o sinal e os rapazes começaram a introduzir a melodia de Lucy In the Sky With Diamonds.

Dennis percebeu na hora a reação que teve ao escutar Gen cantando, a voz dela chegou aos ouvidos do novo cliente do bar e ele sorriu espontaneamente com aquele fenômeno que era escutar uma ótima música em um lindo vozeado ritmado. Gen tinha um sorriso largo e parecia maior com o batom escuro que usava. Conforme ela cantava ela ia se soltando aos poucos, a primeira música para ela era sempre a mais tímida seja com um cliente só ou a casa cheia. A vida de cantora não era recente para a morena de cachos coloridos, mas ela cada vez mais gostava do que estava fazendo.

— Agora entendi sua empolgação para falar que era a melhor parte de ter música ao vivo de novo aqui… – Dennis disse baixo para Lisa que se sentou ao lado dele para apreciar a amiga cantando enquanto a casa ainda estava vazia.

Gen com poucos segundos de música já tinha se levantando do banquinho no palco e dançava tímida no palco.

— Ela tá tímida, mas logo você vai ver o grande show! – Lisa disse olhando para trás e vendo que a cantoria de Gen já atraía mais clientes, um casal entrava no bar sorrindo ao escutar a música.

Respirando fundo depois da primeira música, Gen sorriu para os clientes que iam aparecendo no subsolo e prosseguiu com sua playlist de músicas do Elton John, enquanto cantava torcia para que os fregueses daquela noite gostassem do que fossem ouvir. Não era difícil para nenhum deles se habituar com um estilo de música novo, principalmente quando Gen cantava, ela já era uma atração há pouco tempo no bar e os que a viram chegando sempre voltavam mais vezes na semana.

Conforme a noite ia se fazendo mais presente, mais pessoas apareciam no bunker escondido e as músicas cantadas por Gen ficavam cada vez mais animadas, até que um dos clientes tomou a iniciativa de levantar e puxar sua acompanhante para uma dança ao som de Crocodile Rock, logo os mais envergonhados tomaram coragem e um pouco de bebida para transformar o bar em um grande salão de dança. Gen não poderia estar mais animada e feliz, dançava no palco, pulava e sorria. Dennis a acompanhava sentado no seu canto, já tinha tomado mais três canecas da cerveja artesanal e pediu um prato de joelho de porco para compensar a bebedeira.

— Eu não imaginava que vocês fossem fazer isso! – Gen falava no microfone vendo o pessoal a aplaudir depois de finalizar mais uma música – Pelo o que vejo estão gostando… – a plateia gritou que sim em inglês para Gen que estava se comunicando com todos eles na língua universal – Bom, se me dão o direito de uma pausa, preciso respirar um pouco, mas Mike está aqui para satisfazê-los por alguns minutos… – o guitarrista ficou ao lado de Gen – Senhoras e senhores, Mike da guitarra! Aproveitem! – Gen desceu do palco e entrou em uma porta na lateral esquerda, dava para a cozinha do lugar.

Já era de madrugada quando Gen saiu do palco para uma merecida pausa depois de horas seguidas cantando a plenos pulmões. Mike da guitarra continuava o repertório de Elton John proposto por Gen e a freguesia ainda dançava nas músicas mais agitadas. Dennis olhou seu celular, passava das três da manhã, no dia seguinte ele precisaria acordar cedo para mais um dia de trabalho, mas queria poder ouvir Gen mais uma vez naquela noite. Pelo o que percebeu, Gen precisava de uma pausa longa, comida e bebida, depois de 15 minutos que a cantora não voltava, Dennis resolveu pagar a conta e voltar para onde estava hospedado.

— Já vai?! – Lisa estava no caixa àquela hora e viu Dennis entregando o cartão para pagar a conta.

— A Gen vai realmente voltar? – eles conversavam em alemão e alto para poderem se escutar.

— Vai! Mas talvez demore mais um pouco, quando ela não volta depois de duas músicas que os rapazes cantam é porque ela tá poupando a voz pra encerrar com chave de ouro! – Lisa respondeu.

— Foi muito divertido esse show e, por favor, se puder dizer pra Gen que ela é uma excelente cantora, eu agradeço!

— Vou falar! Uma pena você não poder ficar pro grand finale, mas que bom que gostou! – Lisa devolveu o cartão para Dennis depois que ele digitou a senha – Espero que volte mais vezes!

— Vou voltar com toda a certeza! A cerveja também é ótima! – Dennis sorriu e olhou para o palco mais uma vez, Gen não dava sinal de que voltaria naquela hora – Bom, boa noite e bom trabalho! – guardando a carteira ele voltou para a entrada do bar e subiu as escadas para voltar à superfície. Com sono, cansado e um pouco bêbado, Dennis voltou para a casa que a produção do filme tinha alugado para as filmagens na cidade, desceu do táxi levemente tonto de sono, mas deitou na cama com um sorriso no rosto. Voltaria com certeza ao bunker amadeirado.

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Gen passou a mudar seus horários de sono depois que começou a trabalhar no Holzbunker, mas mesmo dormindo ao amanhecer ela ainda acordava na parte da manhã, não conseguia passar das 11h e já estava de pé, tomando uma ducha sempre que levantava para despertar ainda mais. Naquela manhã pós-show que fez com uma playlist apenas de Elton John, seu cantor favorito, Gen levantou mais rouca que o normal, mas não era algo que fosse prejudicar seus planos para o dia.

O bar de madeira abria todos os dias com exceção de segunda-feira, a programação de shows ao vivo começava de quarta-feira e se estendia pelo final de semana, os dias de mais movimentação. Naquela manhã de sexta-feira Gen desceu as escadas da casa que estava para preparar seu café-da-manhã, um copo de leite bem quente para ir melhorando sua rouquidão.

— Você sabe que tem o dia todo para dormir, não é? – Lisa apareceu na cozinha com cara de sono, seus fios lisos de cabelo castanho bagunçados de um jeito que Gen engasgou com a bebida e começou a rir.

— Eu tenho coisas pra fazer hoje! – ela disse rouca, pigarreou um pouco para ver se melhorava.

— Você tá rouca de novo… Não acha melhor suspender a apresentação de hoje? – Lisa se preocupava com a amiga, mas Gen piscou com um olho para ela e sorriu.

— Não se preocupe, tenho tudo sob controle! E você que deveria estar dormindo, por que já acordou?

— Me deu sede e eu não levei uma garrafa de água lá pra cima… – Lisa logo foi corrigir seu erro da madrugada, abriu a geladeira e retirou de lá uma garrafinha de plástico que já estava à espera dela – Bom, eu vou voltar pra cama, você devia dormir mais também, não venha depois me falar que estou te explorando…

— Sempre está, mas tudo bem… – Gen bebeu mais um pouco de sua bebida quente, a fumaça embaçava seus óculos de grau – Bons sonhos! – ela disse vendo a amiga subir como um zumbi para o segundo andar da casa.

Colônia tinha muitos atrativos para os amantes de história e passeios mais calmos, como visitas a museus e caminhadas ao ar livre. Gen já tinha se deliciado com a cidadezinha desde o primeiro dia que colocou seus pés por lá. Naquela sexta-feira, quase na hora do almoço ela fazia uma rota a pé pelo centro histórico que gostava tanto de visitar. Os prédios mais antigos e coloridos davam à paisagem um sentimento divertido, Gen adorava passar por ali, sempre achava alguma coisa que ainda não tinha visto. Sua caminhada naquele dia não era como nos outros, não tinha um propósito manter a boa forma e a boa saúde, mas sim um encontro, por isso ela não estava com seus tênis mais macios e estava vestida como se fosse fazer mais um show naquele horário.

O diretor do novo filme que seria um sucesso na Alemanha dava ordens para toda a equipe naquela manhã. Dennis escutava atento, mas sua cabeça doía muito. O pensamento de que ele não devia ter bebido em plena quinta-feira ecoou na sua cabeça cheia de pontadas. O analgésico não ajudava muito, nem mesmo o diretor gritando no megafone.

— Dennis! – o homem de aparentes 50 anos chamava a atenção de Dennis que estava sentado em sua cadeira no set de filmagens montado em Colônia – Dennis, o que você tem hoje? – apesar de ter fama de ser muito exigente, o diretor só queria o melhor para seu filme, e claro para seus atores.

— Desculpa, Oliver… – Dennis se colocou de pé torcendo para que sua cabeça não explodisse, sem muito sucesso.

— Já vi que deu uma saída na noite passada, não é? – Oliver, o diretor, falava rindo – Muito bem pessoal, que tal continuarmos depois do almoço? – ele olhou em seu relógio de pulso – Pausa para o almoço, voltaremos 13h30, certo? – Oliver falou no megafone encerrando por hora as gravações – E o senhor, por favor, volte melhor! – ele disse para Dennis.

— Obrigado, Oliver… – Dennis sorriu, voltou a colocar seus óculos de sol e respirou fundo, não fazia a menor ideia de onde iria almoçar.

Caminhando pelas calçadas do centro histórico com mais alguns colegas de equipe, Dennis avistou uma pessoa do outro lado da rua, caminhava na direção oposta a dele, tinha no meio de seus cabelos um headphone rosa enorme, e balançava a cabeça conforme o ritmo da música que escutava. Foi fácil para Dennis reconhecer Gen, seus cachos castanhos com as pontas esverdeadas já estavam marcados na memória dele desde a noite anterior. Por alguns momentos ele parou na calçada que estava e ficou vendo Gen caminhar, ela usava o mesmo coturno preto da noite passada e outra camiseta de banda, mas estava de saia e não calça e no seu ombro direito pendia uma bolsa de couro que batia em suas pernas conforme ela andava.

— Dennis! – uma mulher chamou a atenção do rapaz.

— Oi… – Dennis fez um esforço enorme para tirar seus olhos azuis do caminhar de Gen do outro lado da calçada – Oi… – ele olhou para a mulher que o chamou.

— Do nada você parou… – ela disse rindo e olhando para onde Dennis olhava segundos antes.

— Achei que tinha visto uma conhecida… – ele sorriu – Bom, já sabem onde vamos almoçar? – o grupo pequeno de pessoas voltou a andar pela calçada e Dennis, antes de virar a esquina, deu mais uma olhada para trás, Gen já estava fora de seu campo de visão.

Gen entrou em uma lanchonete depois de sua caminhada pelo centro histórico, e ficou na porta tentando achar a pessoa que iria encontrá-la naquele lugar cheio de pessoas, era hora do almoço e muita gente optava pela fastfood. Uma mulher no fundo da lanchonete acenou para Gen que sorriu e foi até ela.

— Espero que não tenha sido um horário ruim pra você… – a mulher falava em inglês com Gen.

— Não! Eu acordo cedo mesmo quando não precisa… – Gen a cumprimentou com um aperto de mão e se sentou à mesa ao lado da janela.

— Bom, eu não sabia o que você iria comer, então eu já pedi um lanche pra mim…

— Não se preocupe com isso, eu nem vou comer nada, pra ser sincera acabei de tomar café da manhã… – Gen riu e sua risada era contagiante – Mas então, Zoë, vou direto ao ponto, porque ainda tenho que passar em outros lugares antes de 15h…

— Certo! – Zoë disse sorrindo.

— O teste que quero fazer é ao vivo, você me garante que vai arrasar? – Gen sorria para a mulher loira de cabelo chanel a sua frente.

— Ao vivo você diz na hora do show mesmo? – Zoë arregalou os olhos.

— Sim! Claro que tem passagem de som antes, mas minha proposta é a gente passar o som e se eu achar que você arrasou, você fica com o resto da noite…

— Mas isso é muita responsabilidade… – Zoë sorria, mas por dentro estava apreensiva.

— Pra quem não arrasa, sim, mas eu vi os vídeos do seu canal, e se estou aqui é porque você já tá dentro, só falta topar oficialmente! – Gen viu o garçom se aproximar com o lanche de Zoë.

— Puxa… – Zoë ofereceu um pedaço para Gen que recusou com a cabeça – Fico feliz que tenha gostado dos meus vídeos, e sendo assim… Eu topo!

— Perfeito! – Gen disse se levantando – Desculpa não te fazer companhia agora, eu realmente preciso ir a outros lugares, mas te vejo hoje às 20h, o que acha?

— Ótimo horário! Muito obrigada, Gen! – Zoë se levantou para se despedir de Gen.

— É só arrasar! – dando uma piscadinha Gen se virou e saiu da lanchonete.

O grupo de Dennis voltava para as filmagens caminhando devagar nas ruas do centro histórico, todos cheios e satisfeitos depois de um almoço farto. Dennis se sentia cada vez melhor, sua dor na cabeça era só um leve incômodo naquela hora e ele se sentia pronto para dar o melhor de si nas filmagens da parte da tarde. Oliver já estava posicionando as melhores câmeras para a cena que seria gravada em seguida, um grande espaço estava reservado para aquela superprodução alemã, pessoas passavam pela área do set e tiravam fotos curiosas.

Em um dos alambrados móveis colocados no perímetro do set para impedir a entrada dos que não faziam parte do filme, Gen estava apoiada maravilhada com todo aquele novo mundo. Oliver já tinha reparado na presença da mulher, mas como ela não estava atrapalhando em nada resolveu não impedir que ela visse a organização do filme.

— Chegaram rápido! – Oliver disse sorrindo ao ver o grupo se aproximando – Está melhor, Dennis? – ele perguntou para seu protagonista.

— Bem melhor! – Dennis se sentia revigorado depois de um bom prato de comida – Sou capaz de gravar o filme todo agora! – todos riram, Dennis viu uma mulher parada no alambrado móvel – Se me dão licença um pouco… – ele quase correu para onde Gen estava – Oi! – seu inglês era carregado de sotaque, Gen sorriu ao vê-lo.

— Senhor cliente! – Gen disse abrindo o sorriso.

— Lembra de mim? – Dennis ficava vermelho com facilidade, sua pele branca denunciava qualquer tipo de emoção.

— Claro! Lembro da sua cara quando te assustei perguntando do Elton John! – ela gargalhou.

— Eu só não estava esperando por aquilo, mas falando nisso, você canta muito bem! Não sei se sua amiga te falou, pedi para ela deixar o recado…

— Não falou, mas não culpo ela, Lisa acordou hoje antes da hora e parecia um zumbi ambulante! – mais uma vez Gen gargalhou e Dennis riu junto, sem saber o motivo, só sabia que devia acompanhar Gen nas risadas.

— Mas então… – Dennis estava mentalmente pensando no que falar para Gen, o assunto se encerrava aos poucos e foi cortado de vez quando Gen pegou de dentro da bolsa seu celular que tocava.

— Um minutinho! – ela disse apontando o indicador para Dennis – Alô?

— Dennis, vem! – Oliver chamou o rapaz que olhou para a equipe a sua espera e logo voltou seu olhar para Gen que falava em inglês no celular.

— Só um pouquinho… – ela falava para o celular – Você trabalha aqui? Vai lá! A gente se vê por aí! – Gen sorria depois de tapar a saída de voz do celular por uns segundos e falar com Dennis.

— A gente se vê… – não era o que Dennis queria dizer, mas ele não tinha outra escolha, e não se sentia derrotado, sabia onde ver Gen de novo. Ele viu Gen se despedindo dele com um aceno de mão e voltando para sua rota na calçada.

— Quem era? – a colega de Dennis perguntou com sorriso malicioso.

— Uma cantora… – Dennis olhava para Gen se afastando na rua e virando um pontinho no seu campo de visão.

— A noite foi boa, pelo jeito… – a mulher comentou e toda a equipe riu, Dennis não podia estar mais vermelho.

— Claro que não, vamos logo filmar! – ele se apressou em dizer.

As filmagens se estenderam até o anoitecer naquela região de Colônia. Dennis queria ser novamente um dos primeiros a chegar no Holzbunker como na noite anterior. Chegou na casa que alguns atores estavam hospedados juntos com ele e mais alguns membros da equipe e subiu correndo para o banheiro se arrumar.

— Então, Dennis… – sua colega de elenco dizia sentada no sofá da sala toda arrumada – Essa pressa toda é pra ver a cantora, é? – ela riu com os outros que estavam na sala também.

— Bom, é sim e acho que vocês deviam vir comigo, o lugar é incrível e o melhor de tudo, para novos clientes a primeira caneca da cerveja artesanal deles é por conta da casa! – Dennis sorriu.

— Estão te pagando quanto pelo merchan? – ela riu.

— Não importa, eles dão cerveja de graça para novos clientes, vamos nessa! – um dos amigos de Dennis disse de prontidão.

— Mas não está meio cedo? – a mulher olhava para o celular e via a hora.

— O bar lota, melhor garantirmos um bom lugar o quanto antes… – Dennis disse querendo ir o quanto antes – E aí Chris, vamos ou não? – ele perguntou para a mulher.

— Vamos! – ela se levantou – Todos vão? – ela se dirigiu às demais pessoas na sala.

— Eu vou! – o amigo de Dennis se levantou.

— Boa, Louis! – Chris disse animada – Mais alguém? – Dennis já estava levemente impaciente – Então vamos!

O Holzbunker já estava em pleno funcionamento naquela sexta-feira agitada, a música já podia ser escutada do início da rua, Dennis sentiu um leve desapontamento por não ter chegado para escutar a primeira música de Gen, mas logo voltou a sorrir. Ao se aproximar da escada que dava para o subsolo percebeu uma voz diferente no microfone.

— Que lugar sinistro, fica no subsolo? – Chris disse rindo.

— Pra onde vai nos levar, Dennis? – Louis acompanhava a amiga na risada.

— Vocês vão ver, vamos! – Dennis disse descendo as escadas quase correndo.

O bar já estava movimentado, ao entrarem no bunker de madeira o grupo logo foi recebido por Lisa que sorria animada e uniformizada com camisa branca e avental preto amarrado na cintura.

— Boa noite! Bem-vindos aos Holzbunker! – a mesma hospitalidade da noite anterior, Dennis pensou, mas seus olhos foram direto para o palco e sua surpresa foi grande ao ver uma mulher cantando que não era Gen – Ei, você voltou! – ela disse reconhecendo Dennis.

— Trouxe mais clientes com a promessa da primeira caneca de cerveja grátis… – Dennis sorriu.

— Depois passa no financeiro para acertar sua comissão! – Lisa brincou – Por aqui! Hoje a noite está animada e vocês com certeza vão querer ficar perto do palco! – Lisa levava os três para uma mesa do lado direito do bunker para uma mesa redonda de madeira com os bancos mais inusitados separados para eles, feitos de tonéis de vinhos.

— Gen vai cantar? – Dennis tentou falar sem ser ouvido pelos amigos, mas era impossível, eles tinham que falar alto por conta das músicas.

— Hoje não, ela já cantou… – Lisa disse olhando para trás – Melhor ela não forçar a voz, já acordou rouca pela manhã…

— A cantora que você viu hoje era essa Gen? – Louis perguntou se sentando no banco.

— Viu Gen hoje? – Lisa perguntou sorrindo.

— Vi… – por sorte as luzes não deixavam ver que Dennis estava vermelho de vergonha.

— Gen hoje está na cozinha, sugiro vocês pedirem a porção de joelho de porco com linguiça é ela que está preparando e tenho que falar, que meu pai não escute, mas é uma delícia! – Lisa entregou os cardápios para o trio.

— Então, por favor, já pode pedir uma pra gente! E vamos querer aquela famosa caneca grátis! – Chris disse sorrindo.

— É pra já! – Lisa disse anotando os pedidos – Sinto informar, que pra você não é mais por conta da casa… – ela olhou para Dennis.

— Sem problemas, me traga uma mesmo assim! – Dennis voltou sua atenção para o palco, a cantora tinha uma excelente voz e já agitava todo mundo no bunker.

— Sua cara de decepção está sendo impagável, Dennis! – Louis disse rindo.

— Essa mulher canta muito bem também, não estou nem um pouco decepcionado… – no fundo, Dennis estava decepcionado, mas aproveitou o que a noite podia lhe oferecer.

Seu sorriso ficou mais evidente quando a bandeja com o joelho de porco e linguiça chegou até a mesa deles, quem entregava era Gen, ela estava com avental de Chef.

— Senhor cliente! – ela colocou a bandeja na mesa – E amigos! – Gen sorriu para a mulher e o rapaz que acompanhavam Dennis – Espero que gostem!

— Não vai cantar hoje? – Dennis perguntou sem perceber.

— Dennis falou da sua cantoria o dia todo! – Louis falava deixando o amigo mais envergonhado.

— Eu já cantei! Hoje a noite é da Zoë! – ela olhou para a loira no palco – Se me dão licença, preciso preparar mais comidas pra ninguém ficar muito bêbado! – Gen riu e voltou para a cozinha.

— Só agora me dei conta de que falei em inglês com essa mulher! – Louis disse arregalando os olhos – Ela não é daqui?

— Não sei… – Dennis olhava para a porta da cozinha que tinha se fechado – Mas então, o que acharam da cerveja? – ele disse mudando de assunto.

— Uma delícia mesmo, cobra sua comissão depois, não esquece! – Chris disse rindo.

A madrugava se fazia cada vez mais presente naquele início de final de semana, Zoë cantava a playlist escolhida por Gen com músicas sortidas e mais atuais, os clientes gostavam da mistura de ritmos e um ou outro chegou a pedir alguma do Elton John, fregueses da noite anterior que aproveitaram e muito o show de Gen. Chris e Louis saíram por alguns minutos do bar, fumantes não entravam com cigarro aceso e para não ficar sozinho no bar de madeira, Dennis os acompanhou, era óbvio que se fosse Gen cantando ele não se importaria em ficar, mas resolveu que um ar mais fresco seria bom. Lisa estava lá fora na sua pausa da noite, fumava distraída mais afastada dos clientes que foram para a superfície fazer o mesmo que ela.

— Cigarro? – ela disse sorrindo ao ver Dennis se aproximar dela.

— Hoje não, obrigado… – Dennis recusou com um sorriso.

— Zoë é uma ótima cantora, mas eu vou confessar que queria a Gen cantando… – ela riu entre uma tragada e outra.

— Não vou mentir, vim aqui pra ver a Gen cantando… – ele disse ficando sem jeito.

— Então viu ela hoje?

— Ela estava observando o set de filmagens do meu filme… Acabei conversando por alguns minutos com ela…

— Filme? – Lisa encarou Dennis, as luzes da rua sem saída não eram tão claras – É por isso que sabia que você não me era estranho! – ela sorriu – Meu Deus, um ator de cinema no meu bar!

— Você gritando assim faz parecer que o Brad Pitt está aqui… – Dennis riu sem jeito, seus amigos se aproximaram depois de ouvir Lisa gritando.

— Tão bonito quanto! – Lisa falou gargalhando da reação de Dennis.

— Focou em uma e atingiu a outra, esse é meu garoto! – Louis disse rindo.

— Louis, meu Deus… – Dennis não sabia onde se esconder.

— Fica tranquilo, senhor cliente! Foi um elogio, você não faz meu tipo, mas não se ofenda! – Lisa terminou seu cigarro – Bom, de volta ao trabalho, vou tentar convencer a Gen a cantar mais uma, então não se demorem! – Lisa voltou para o bar.

— Vocês vieram ao mundo pra me envergonhar, disso eu tenho certeza! – Dennis disse resolvendo aceitar um cigarro de Chris depois da situação que passou.

— E está certo! Fuma logo porque a Gen… – Chris quase cantarolou o nome da mulher – Talvez cante mais uma música, senhor cliente…

— Ah, não me enche! – Dennis dizia revirando os olhos, mas sorria enquanto tragava o cigarro.

Depois de alguns minutos na superfície do bar, o trio de amigos resolveu voltar ao bunker, pediram mais uma cerveja da casa e quem cantava naquela hora era Mike da guitarra. Ele já encerrava a música quando Dennis, Louis e Chris voltaram para a mesa no canto direito do bar.

— Obrigado… – Mike falava em alemão – Bom, me fizeram uma proposta aqui e eu acho que com a ajuda de vocês a gente consegue realizar essa missão juntos… – Dennis até se sentou direito no banco, estava ansioso assim como os outros clientes – Estão a noite toda pedindo para que Gen venha cantar alguma música do Elton John, já que ontem foi um sucesso… – Mike olhava para a porta da cozinha que estava entreaberta e Gen espionava de longe – E talvez se a gente ficar enchendo o saco dela, ela aceite cantar…

— Gen, Gen! – Zoë pegou o outro microfone e começou a chamar a nova amiga que saiu da cozinha sorrindo.

— Eu te chamo pra cantar a noite toda e você me trai desse jeito?! – Gen gritou da porta e sorria para Zoë.

— Vem, por favor, eu estou ansiosa pra ouvir uma música do Elton na sua voz! – Zoë falou no microfone – Vamos lá pessoal, Gen, Gen! – Gen revirou os olhos e caminhou até o palco sendo aplaudida.

— Ora ora, parece que você terá a Gen cantando hoje… – Louis disse no ouvido de Dennis.

— Não só eu, vocês também, apreciem… – Gen subiu no palco.

— Eu tenho mais alguns pratos pra fazer, então só uma… – ela falava em inglês – Me perdoem pelo figurino… – Gen olhou para trás e sussurrou o nome da música que cantaria – Quem quiser se mexer, fique à vontade… – ela marcava as batidas dos instrumentos com os pés e o corpo – Essa é Stinker

— Puxa vida, você estava certo, Dennis! – Chris falou chocada ao ouvir Gen cantando.

— Meu Deus, de onde veio essa mulher? – Louis estava de pé assim como muitas outras pessoas no bar, de longe Lisa sorria vitoriosa e maravilhada com a performance da amiga.

O momento de fama de Gen chegava ao fim naquela noite depois de mais uma música cantada por ela. Em seguida ela devolveu o microfone para Zoë que encerrou a noite com chave de ouro com uma coletânea de músicas mais conhecidas do momento. Sabendo que Gen não cantaria mais naquela noite, Dennis resolveu ir embora logo depois da apresentação improvisada da funcionária do bunker de madeira.

— Você já pensou se algum olheiro descobre a Gen e ela tem que sair do bar pra virar uma super estrela da música? – Dennis falou para Lisa que mais uma vez estava no caixa àquela hora, ele entregou o cartão de crédito para a mulher que sorria.

— A glória de uns é a tristeza de outros… – Lisa disse sorrindo – Tenho medo desse dia, mas fazer o que, né?

— Do dia que a Gen for descoberta?

— Do dia que ela sair do bar! – Lisa devolveu o cartão para Dennis – Mas se for pra ser uma estrela, já vai ter valido à pena!

— E a programação de amanhã? Já sabe? – Dennis olhava para Zoë cantando no palco.

— Nunca dá pra saber, eu estava crente que a Gen cantaria hoje, mas ela chegou aqui com a Zoë e falou que a noite seria dela, foi muita sorte a gente convencer Gen a cantar! Ela trabalha muito no improviso, mas nunca deixa a gente na mão! – Lisa ria – Mas, ei! Volte pelo bar, poxa!

— Vou voltar! Pelo bar, pela cerveja…

— Pela Gen… – Lisa riu – Amanhã é sábado, né? Se ela não mudar a programação de sábado, provavelmente ela vai estar pelo centro histórico da cidade perto da hora do almoço, não faço a menor ideia do que fica fazendo lá, eu mesma já teria enjoado…

— Está me dando uma dica de onde posso encontrar a Gen? – Dennis sorriu.

— Você interpreta como quiser, eu só falei a rotina dela de sábado… – Lisa piscou para o ator.

— Bom final de expediente… – Dennis esperou que Lisa dissesse o nome.

— Lisa! Meu Deus a gente nem se cumprimentou direito! – ela riu.

— Dennis! – eles finalmente se cumprimentaram com nomes – Bom final de expediente, Lisa!

— Volte sempre! – Lisa piscou para o rapaz que subiu as escadas do bar com um sorriso no rosto.

Parte 2